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segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Under The Dome - 2x13 Go Now(Season Finale)



Under The Dome faz disparado seu melhor episódio da temporada.

É o final da temporada, muitas perguntas não foram respondidas, mas em minha opinião o principal foi estabelecido nesse segundo ano: o desenvolvimento dos personagens aconteceu de maneira mais fluída e menos forçada mesmo com algumas exceções(como o caso de Phil).

Recapitulando, a redoma começou a reagir furiosamente depois de Big Jim ter jogado o ovo no fosso que era uma saída para Zentih, depois de névoas de gelo, o domo começou a se comprimir. Agora o risco é de ser esmagado pela própria redoma.

Pauline estava até indo bem com Jim, mas daí Lyle a esfaqueia e encerra o retorno da amada a Chester's Mill. Claro que Jim não deixou barato e matou o maluco. Outro problema é que logo depois de Melanie ter sido curada, um buraco se formou no chão e a sugou.

















O encolhimento da redoma provoca tempestades elétricas, porta aberta para o abatimento de figurantes como Tom que virou churrasco em seu celeiro. Barbie e Julia tentam conter a população, enquanto isso Norrie, Joe e Hunter(para mostrar que é do time do bem) examinam o fosso que sugou Melanie e descobrem um novo túnel. Falou em túnel, lê-se saída.

Pauline tem últimos momentos para se despedir do filho e de Jim, Rebecca cede ao pedido da vidente e a dopa com morfina. Jim chega em seus últimos segundos de vida, depois de ver a própria última tela de Pauline que mostrava ela sangrando pela boca.

Como dois mais dois são quatro, Jim parte para cima de Rebecca, cheio de ódio. Sam tenta intervir, mas é nocauteado, assim sem cerimônia depois de ser bem útil na verdade e até evoluir como ser humano, Rebecca é morta a marteladas. O sangue frio de Big Jim para matar é chocante. Mérito de Dean Norris que foi quem mais brilhou no episódio.

Enloquecido, Jim faz barganha com a redoma e como ganha um não como resposta, pira ainda mais. A pobre Andrea tão prestativa é outra que morre sem mais nem menos com uma bala na cabeça.

Julia seria a próxima senão furasse Jim com um canivete. Junior e Sam ajudam a ruiva enquanto que Barbie começa a levar as pessoas ao novo túnel.

Pauline pouco antes de morrer havia informado que havia outra monarca. Fácil de saber que era Barbie, o maior herói da cidade desde o dia que o domo chegou.

É quando vem o embate entre Junior e Jim, o filho atira no pai, certo que as relações entre eles estão encerradas para sempre depois do surto de Big Jim. Barbie atravessa Carolyn, mas na hora de Julia atravessar o fosso aumenta. Inclusive me surpreendi que a personagem tenha sobrevivido a mais uma temporada mesmo aparecendo tão pouco. Como disse, a temporada dois foi superior a primeira, mas isso não a classifica como perfeita não. Aisha Hinds continua mal aproveitada.

O casal é obrigado a se separar. Se existe uma saída no fim do túnel, Julia e Junior só alcançam os demais na próxima temporada.

E Big Jim está morto no fim da segunda temporada? Verdade seja dita, Big Jim é o personagem mais louco, complexo e capaz de movimentar a trama dentro de Under The Dome. Mais uma vez, Dean Norris esteve magistral. Acho que a série não se sustenta muito sem ele. É um personagem que amamos odiar.

E mesmo sem respostas, esse ano foi superior a primeira temporada. O enredo esteve mais conectado, os personagens com motivações mais criveis. Termino a temporada como boa expectativa para um terceiro ano que seja logo confirmado. Já que as respostas devem começar a vir pelo menos é o que a cena final com Melanie aponta.

Sabemos que há algo misto de científico e sobrenatural que perpassa a redoma. É algo alienígena, mas será que será mais abordado nos próximos episódios? E o destino de Don Barbara depois de ser preso pelos militares ao tentar devolver o ovo? E quanto ao fim do mundo, provavelmente mal interpretado por Lyle, será que indica que a redoma protegerá os moradores de um apocalipse global? E o lugar para onde eles estão indo, será uma espécie de oásis, mas não a saída definitiva?

Outro ponto certeiro foi a direção de Jack Bender, um expert das cenas de ação e drama de Lost que fechou e muito bem a temporada. O roteiro também funcionou, sobressaindo-se até aos defeitos especiais do episódio. Sério, arrebentaram. Lembrei daquela empolgação digna somente dos fins de temporada de Lost.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

10 anos de Lost

Do Omelete
Podia parecer apenas uma ironia visual de pilotos que querem se fazer de espertinhos, mas duas premissas básicas que sustentaram a dramaturgia de Lost  por todos os seus seis anos, apareceram na forma de cenas intermediárias, sem que nesse primeiro episódio, tivéssemos a menor ideia de que o futuro do show seria determinado por elas. É importante começar esse texto dizendo que não, nunca acreditaremos que tudo – absolutamente tudo – estava planejado desde o início, mas a beleza de se aplicar uma ideia num contexto estabelecido, nunca será menos admirável.
No dia 22 de Setembro de 2004, o Oceanic 815 caiu. Depois de todo o caos inicial, o músico Charlie (Dominic Monaghan) reforça as letras gravadas nos esparadrapos que lhe protegem os dedos. F. A. T. E. Destino. Daqueles que estabelecem tudo, daqueles dos quais não há nenhuma chance de escapatória, tais quais aqueles que moviam os personagens das tragédias gregas, que não tinham nenhuma escolha, que eram movidos pelas profecias anunciadas antes mesmo que eles nascessem, e tinham suas vidas movidas pela execução disso. Claro que a essa altura não sabíamos de nada, nem eles. Mas era o destino, a sina, os propulsores daquela reunião de tipos amaldiçoados.
Ninguém tinha muito do que se orgulhar na sua vida fora da ilha e essa era outra liga entre os personagens. Lost foi construída em torno do conceito de anti-heroi que tomou a televisão dessa Terceira Era de Ouro, inaugurada por Tony Soprano, que mostrou ao mundo que éramos capazes de amar gente que podia ser tão destrutiva. Podíamos até ser conduzidos por um médico determinado a salvar, mas mesmo ele, era tomado de egoísmo e ira, sempre disposto a colocar sua razão acima de qualquer coisa, inclusive de vidas que ele deveria querer salvar. A palavra de ordem dos protagonistas de Lost era “EU”. E eles tinham sido levados até ali para priorizar o outro. Cada um na sua jornada pessoal de compreensão sobre si mesmo, para que a partir disso pudesse haver a possibilidade de entendimento do que é altruísmo. No final das contas eles haviam sido levados até ali porque não havia um mundo aprazível para onde pudessem voltar, mas permanecer na ilha e preservá-la era uma questão de chegar a essa consciência. Era uma questão de jogar fora esse “EU”.
Jack (Matthew Fox): Eu sofro porque sou tão bom a ponto de me sacrificar pelos outros. Eu sou mais esperto, eu sou a liderança, eu sou o responsável, eu preciso ser reconhecido por isso.
Kate (Evangeline Lilly): Eu mato pelos que amo e eu não quero pagar por isso.
Sawyer (Josh Holloway): Eu seduzo, eu engano, eu roubo, eu sou assim porque eu sofri quando criança.
Sun e Jin (Yunjin Kim e Daniel Dae Kim): Nós mentimos.
Hurley (Jorge Garcia): Eu sou um incompreendido... Eu só quero amor, não quero dinheiro, mas não vou abrir mão dele, tampouco.
Sayid (Naveen Andrews): Eu torturo, mato e mutilo. Mas, eu também amo.
Locke (Terry O’Quinn): Não me diga o que EU não posso fazer. Mesmo que eu não possa.
Não se tratava apenas de seguir uma fórmula que ficou estabelecida desde The Sopranos: esses protagonistas falhos, sendo conduzidos com personalidades tridimensionadas, para que seus defeitos e qualidades se fundissem num reflexo até brutal de nós mesmos. No caso de Lost essas similaridades tinham um grande propósito. Se um deles precisava ficar na ilha, não poderia haver um mundo possível do outro lado do oceano.
O Mito
Também logo no início da série, Locke fala com Walt sobre um jogo e mostra a ele duas pedras, uma branca e a outra preta. Dois lados: um claro e o outro escuro. A base maior para tudo que nos permeia desde o início das civilizações. O claro e o escuro que aparecerão em vários outros momentos, tanto de formas práticas quanto metafóricas, como pombas num sonho de Charlie ou como os olhos de Locke num sonho de Claire. Mas já está estabelecido aqui que John é o personagem que está diretamente ligado a essa base narrativa. Sendo ele, também, o primeiro a ver o Monstro de Fumaça, sem que fosse atacado por ele. Locke era o único que sempre quis acreditar e se tornara por isso, o fantoche mais acessível.
Chocado, Jack, logo no episódio piloto, vê o pai que deveria estar morto, espreitando nos arbustos. Esse momento, junto com o monstro andando na selva, foi o que mais ampliou o universo do show para fronteiras mitológicas. No fim de tudo, estavam interligados por uma das maiores ousadias da dramaturgia de Lost. Aquela que dividiu esse destino dos personagens em dois sentidos específicos, liderados pelos dois representantes do claro e do escuro.
Jacob, o lado claro, reuniu na ilha todo aquele grupo de pessoas que nada tinha a perder, os fez conhecer e descobrir a ilha lentamente, porque simplesmente dizer a eles o que eles precisavam fazer não os  convenceria a ficar. E o lado claro, vejam só, dá ao outro a liberdade de dizer não. Já o Homem de Preto, o lado escuro, não acredita em renúncia pessoal e sim em objetivo definido. Ele reforça o “eu” e norteia sua existência para conseguir o que quer. Com sua forma alterada pelo contato com a energia eletromagnética da ilha, ele fica preso nela e passa a desejar ardentemente a vingança e a liberdade. Mas, não pode fazê-lo sozinho e assim que o avião cai, começa seus planos de manipulação através das relações humanas.
Na maioria das vezes, o que a ilha queria era o que o Monstro queria. Visões de mortos com recomendações específicas e julgamentos de sobreviventes eram só alguns exemplos. Na forma do pai de Jack, o Monstro não conseguiria o acesso necessário, mas conseguiria, talvez, manipular alguém muito ávido por sentir-se especial. Então Locke vira a ferramenta perfeita. Ele precisa primeiro ser convencido de que tem um papel na ilha, depois ser convencido de que precisa fazer qualquer coisa para mantê-lo e por fim, virar a capa perfeita, cheia de ligações emocionais com todos os outros sobreviventes. O Homem de Preto era o jogador mais agressivo, que saía para o tabuleiro movimentando as peças, o que acabou resultando no sucesso de seus planos de execução.
A Ciência
Não se pode julgar um espectador que não consegue absorver a proposta de Lost... Mas, não se pode dizer também que não havia um pensamento que tivesse amarrado toda essa junção ousada de ciência e mitologia que constituíram a atmosfera da série. Ao inserir, no ano 2, o plot da escotilha, o roteiro tinha descoberto uma base narrativa que foi a condução mais viável para tudo que pudesse ser encarado como inexplicável, partindo sempre do princípio dramatúrgico básico de que a ficção permite o ato da fé naquilo que seja – à primeira vista – imponderável.
Na segunda temporada ouvimos sobre energia eletromagnética... Ela estava ali, presente na escotilha, atraindo a chave pendurada no cordão de Jack, por exemplo. Nesse primeiro momento, achamos que a história toda do botão que precisa ser apertado a cada 108 minutos é uma grande loucura. Mas, vamos entender mais tarde que toda a ilha está situada acima de um imenso bolsão de energia eletromagnética, energia essa que é, cientificamente falando, imprevisível se vier em condições maciças.
Toda a matéria existente no universo é constituída por átomos (…) A instabilidade dos átomos está associada a um excesso de energia acumulada, que tende a ser liberada sob a forma de radiações (…) Células vivas expostas a essa radiação, por exemplo, podem ser destruídas ou alteradas” (Fonte: Biodieselbr.com)
No trecho acima, está, por exemplo, um possível embasamento de muito do que vimos no decorrer daqueles seis anos. O corpo humano também irradia energia eletromagnética e pode ser alterado ou transformado se entrar em contato com formas brutas dessa liberação energética. A ilha, carregada em altos níveis por essa energia, acabava alterando o funcionamento do corpo, curando doenças, impedindo gestações, interferindo no curso normal da ação do tempo e da natureza.
No famigerado episódio Across the Sea, do sexto ano, o que vimos foi um tempo de incompreensão acerca desses aspectos científicos da “tal luz”. A ilha, como um todo, era como um isolante dessa energia, que escapava, eventualmente, por frestas geradas pela ação do tempo ou do homem. A escotilha e o botão, a roda congelada... por vários momentos nós estivemos diante de escapes dessa energia ou de descarregamentos dela. Da explosão do segundo até os saltos no tempo do quinto, era sempre a mesma luz que era gerada do centro da ilha para fora, e esse era sempre um sinal de que a liberação dessa força é que terminava sendo responsável pelo desequilíbrio das circunstâncias e do tempo. Eletromagnetismo e radiação são velhos conhecidos nossos em qualquer trama de ficção científica que lide com questões desse tipo.
Mas então imaginemos que civilizações muito antigas tenham estado em contato com a ilha. Os egípcios parecem ter estado por lá e é claro que assim como nos estudos de Erich Von Daniken, manifestações científicas que não podiam ser traduzidas ou compreendidas, eram confundidas com mito, com divindade. Assim, estátuas de adoração, templos de contemplação, escrituras e profecias eram parte de um tempo da ilha onde não havia uma Iniciativa Dharma, a primeira a correlacionar os eventos inexplicáveis da ilha a sua natureza eletromagnética.
A Fé
Por mais que em qualquer boa trama de ficção haja muito embasamento científico, não se pode esquecer jamais que estamos diante de uma história inventada e que o prazer de fingir que acreditamos nela está em conceder e permitir. Há aspectos de Lost que não podem ser explicados com pesquisa prática, mas não se pode maldizê-los por isso. Alguma coisa no meio do percurso é regra estabelecida pela vontade ou é manifestação emocional bruta, sem medo de não ser verdade.
Mesmo que tenha sido a energia eletromagnética a transformar o Homem de Preto no Monstro de Fumaça (tanto que ao descarregar ilha, ele volta ao normal), não temos uma explicação prática para a imortalidade e os poderes de Jacob. Não sabemos como o cargo de guardião da ilha passa de uma pessoa pra outra. Mas, ao mesmo tempo, numa trama tão tomada de embasamento teórico, seria mesmo tão pecaminoso assim que houvesse um aspecto fantástico da história que tivesse surgido como surgem tantas boas histórias da humanidade? Vontade, apenas.
Mulder e Scully tinham milhões de referências científicas para embasar seus casos, mas nada podiam fazer pra explicar a vida após a morte, que era tão presente em Arquivo X. O universo alternativo de Fringe foi descoberto e explorado de muitas formas cientificamente prováveis, mas a consciência de Bell ir parar no cérebro de Olívia mesmo com ele morto é algo que se aceita mais por vontade do que por teoria. Bons roteiristas sabem conduzir esses experimentos narrativos de forma a torná-los viáveis e cheios da atmosfera do show, mas o papel de Jacob na ilha ou o fato do Monstro tomar a forma de quem já estava morto, são aspectos inverossímeis naturais ao exercício da fé cênica. Se o entorno estiver sendo bem cuidado, podemos nos permitir acreditar em um ou outro detalhe que tivesse precisado existir por vontade, muito menos que por verdade.
É aí que se situa, também, a decisão de sobrenaturalizar os flashes do sexto ano. Se a série começou falando de destino, fez sentido para os roteiristas que essa noção de predestinação os perseguisse até mesmo no pós-vida. Todos nós conhecemos um pouco dessa sensação de “evento compartilhado”. Toda vez que encontramos com uma turma de escola, de faculdade, de viagem, de infância, de trabalho, que tenha sido transformadora na nossa  vida, que tenha sido uma parte descolada da nossa rotina, sempre temos a sensação de que naquele período, com aquelas pessoas, aquele tempo, nos define em alguma instância. Nesses reencontros nós acabamos entendendo que vivemos algo especial, compartilhado com aquele grupo de pessoas que será o único que compreenderá aquela sensação. Participantes de uma mesma edição de um reality show devem sentir isso o tempo todo. E foi aí, nessa direção, que caminharam os eventos da última temporada de Lost. Claro que todo mundo tem o direito de não aceitar essa explicação lúdica, mas aí não reside um julgamento de valor e sim uma diferença de impactos. O que não afeta uns, afeta outros, e o mundo continua girando.
Ao final do último episódio, a mitologia da série estava bastante esclarecida. Existe um eco indelicado a respeito de Lost, que confunde rejeição a resposta com falta de resposta. Que confunde não querer um sentido emocional e lírico com não poder haver lirismo. Existem algumas das maiores histórias de ficção científica da humanidade que dependem apenas e exclusivamente da nossa fé. Talvez o problema tenha partido da maior qualidade de Lost:: chegar perto, muito perto, de se fazer real. Assim, por amor mesmo. A questão é que havia uma fumaça preta rondando a ilha desde o primeiro ano e esse já era um indicativo claro de que no meio das buscas por referência e ciência, haveria a fé e o mito, que dependem exclusivamente da nossa permissão para existir. O que acontece é que alguns de nós nos deleitamos, nos refestelamos, fomos ao apogeu da permissividade, e em dado momento, depois do êxtase, quando a série pediu por nossa aprovação, nós dissemos “NÃO!”.
A toda inteligência, esperteza, sagacidade e catarse que Lost me proporcionou, eu agradeci dizendo sim... Eu podia acreditar nela, principalmente porque por seis anos, ela sempre acreditou em mim.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

20 curiosidades perdidas sobre Lost

Do Box
Demorou, mas chegou. De todas as séries do mundo, talvez essa seja a que tem mais curiosidades e segredos. Por isso, hoje a Caixa Preta é especial e vai trazer algumas curiosidades sobre Lost(se eu fosse trazer todas, ia ter post pra mais de um mês e todo mundo ia ficar cansado de ler isso aqui).
Lost teve seis temporadas e foi criada por Jeffrey Lieber, Damon Lindelof e pelo brilhante JJ Abrams. A série mostra a luta dos 48 sobreviventes do desastre aéreo da Oceanic Airlines por meio de uma narrativa entrecortada por flashbacks e flashforwards, mostrando a vida dos personagens antes e depois do acidente de avião.  O sucesso de Lost é um fato e nem preciso entrar nesses detalhes.
Então, vamos entrar nos detalhes que interessam?
# Lost é uma das séries mais caras da história da TV. Tudo por causa de seu grande elenco e de suas gravações acontecerem no Havaí. Isso era dispendioso tanto para a produção como para o elenco. Jorge Garcia, o Hurley, perdeu o casamento da própria  irmã por conta das gravações longe de casa.
# A ABC optou por não mandar o avião usado no piloto inteiro para o Havaí. Ao invés disso, o canal despachou 40 produtores para Mojave, onde desmontaram o avião em muitas peças separadas. Esse processo durou 5 dias.
# A tatuagem do Charlie é uma letra de música dos Beatles chamada Strawberry Fields Forever. Na tatuagem, podemos ler “Living is easy with eyes closed”, ou em bom português, “viver é fácil com os olhos fechados.”
# As pedras usadas em cenas na caverna da cachoeira eram feitas de borracha para que o som dos atores e da produção andando sobre essas pedras não fossem detectados pela câmera.
# O personagem Charlie foi pensado originalmente para um ator bem mais velho. Mas o teste de Dominic Monaghan surpreendeu tanto os produtores de Lost que eles o escolheram e reescreveram o personagem para se adaptar ao ator.
# Vincent, o cachorro, na verdade, é uma cadelinha. O nome dela é Madison.
# O símbolo que Claire usa no pescoço é o kanji japonês que corresponde à palavra amor.
# A ABC confirmou a produção de Lostmesmo antes da série ter um roteiro pronto. JJ Abrams e Damon Lindelof tinham apenas as tramas iniciais na cabeça, mas isso já foi suficiente para a ABC colocar o show em sua programação.
# Originalmente, Michael Emerson foi escalado para participar de alguns poucos episódios da segunda temporada. Mas os produtores ficaram tão impressionados por sua performance na telinha que o contrataram como regular e reescreveram a parte de Henry Gale/Ben para que ele pudesse ter mais cenas.
# A primeira cena de Lost que foi gravada foi aquela do piloto na qual Charlie é confrontado pela comissária de bordo, segundos antes do acidente do avião.
# A ideia original para Kate, na verdade, foi usada na personagem Rose. Inicialmente, Kate seria uma mulher mais velha, separada do marido, que foi ao banheiro na cauda do avião no acidente.
# Eko era para se chamar Emeka.
# Sawyer é outro personagem que seria mais velho e que vestiria ternos. Mas no teste de Josh Holloway, ele esqueceu uma fala, chutou uma cadeira próxima de frustração e ainda soltou um palavrão. Os produtores gostaram da atitude dele e viram nele um novo Sawyer. Ele ganhou o papel e os produtores reescreveram o Sawyer para ser interpretado por Josh.
# As tatuagens de Jack são reais do próprio ator que o interpreta, Matthew Fox.
# Yunjim Kim fez testes para ser a Kate. Os produtores decidiram que ela não era o que procuravam para viver a personagem, mas gostaram tanto do teste que criaram um personagem para ela e um outro, que seria o marido dela na trama.
# Jorge Garcia foi o primeiro a entrar para o elenco de Lost. JJ Abrams o convidou para participar da série após vê-lo em Curb Your Enthusiasm.
# Jorge Garcia, Matthew Fox e Dominic Monaghan fizeram testes inicialmente para ser o Sawyer, porque os outros personagens não haviam sido criados ainda.
# Na série, há lugares e objetos que fazem referência às Sete Maravilhas do Mundo Antigo.  Temos a Grande Pirâmide de Giza (a construção dentro do Templo dos Outros é uma pirâmide), os Jardins Suspensos da Babilônia (os jardins na Estação Orchid), Colosso de Rhodes (a grande estátua na ilha), Templo de Artemis (o Templo dos Outros), Mausoléu de Halicanassus (o lugar de descanso de Adão e Eva), Estátua de Zeus (a estátua de Tawaret) e o farol de Alexandria (o farol de Jacob).
# Danielle Rousseau tem seu nome baseado em Jean Jacques Rousseau, filósofo do século XVIII que criou a teoria do bom selvagem, uma visão que defende que o homem nasce livre e puro, mas é subsequentemente corrompido pela sociedade e pela civilização.
# Naveen Andrews que teve a ideia do romance entre Sayid e Shannon, não um produtor.
Bom, que Lost tem mais curiosidades, já sabemos disso. Então compartilhe as que você achar mais importante aí nos comentários conosco. Semana que vem tem mais Caixa Preta.
Até semana que vem.
Originalmente publicada no dia 18 de julho de 2011.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Top Protagonistas que Protagonizam e Protagonistas que Coadjuvam

Extraído do Série Maníacos(Por Henrique Haddefinir)
Os protagonistas que nasceram para brilhar à frente de suas séries e aqueles que não tiveram envergadura para se destacar com a faixa de capitão.
Na hora de escrever uma ficção a primeira coisa que você precisa decidir é como será a sua história e quem vai existir para vivê-la. Daí vem o tal protagonista (palavra grega que se dividida significa “primeiro”, “ator” e “competição”), que pode ser o grande trunfo ou o grande fracasso dessa trama.
No mundo das séries não poderia ser diferente. Há os protagonistas que se registram para a eternidade, há aqueles que são as maiores malas de uma série, há os que acabam coadjuvando e há os coadjuvantes que protagonizam. Essa dinâmica de inversão é o ponto mais interessante desse tópico e prova que nem sempre os planos de um showrunner saem como o esperado.
Top Maníacos vai mostrar uma lista com alguns desses tipos. Começando pelos protagonistas, que deveriam ser os alicerces de uma dramaturgia, mas nem sempre conseguem cumprir essa missão.
As listas têm ordem aleatória e não privilegiam todos.
Protagonistas que realmente Protagonizam
Essa categoria é a básica. Reúne uma galeria de personagens que realmente cumprem o seu papel e lideram a estrutura de sua série. Até porque, não basta ser eleito o protagonista e ter todas as tramas centradas em você. O público tem que te aceitar como figura primordial e você tem que ser querido. Ou isso, ou o protagonismo passa sem querer pro personagem paralelo e a ordem das coisas é invertida.
Mas vamos a eles.
Eric Taylor – Friday Night Lights
Kyle Chandler vai aparecer nessa lista duas vezes numa mesma menção, porque ao passo que raramente um mesmo ator consegue segurar tão bem a liderança de duas séries distintas, ele veio e fez isso com imensa competência. Eric reunia uma série de qualidades, uma contida sensibilidade nada comum a um texano que treina futebol, e tinha uma esposa que era sua metade absoluta. Foi conduzido pelas quatro temporadas da série com coerência, e essa é uma grande razão para aparecer por aqui. Seu outro ótimo momento foi com Early Edition, quando ele ainda era quase um desconhecido e vivia um loser que recebia o jornal do dia seguinte e precisava tentar resolver as coisas. A série era tímida e despercebida, mas tinha uma mitologia interessante que se encerrou de maneira comovente e muito coesa.
Jack Bauer – 24 horas
Na maioria das vezes 24 horas era ruim por conta das decisões dramatúrgicas. A recorrência absurda de tramas, que foram cansando e transformando as últimas temporadas em uma grande piada. Mesmo assim, o personagem permanecia intacto e acabávamos vendo só pra saber como Jack ia sair das enrascadas em que se metia. Seu final foi completamente desmerecedor de sua importância, mas o agente continua sendo um ícone e um grande exemplo de personagem que catalisa tudo dentro de uma série.
Alicia Florrick – The Good Wife
A boa esposa é uma referência de superação, tema sempre eficiente dentro da ficção. Suprimida pelas circunstâncias que a colocaram na roda de fogo, Alicia vai atrás de sua independência e ficamos hipnotizados pela expectativa de suas vitórias. Juliana Margulies, que já foi uma louca suicida em ER, ganha o proscênio com essa grande personagem.
Lorelai Gilmore – Gilmore Girls
Ela teve uma filha aos 16 anos, fugiu da casa dos pais ricos e criou sua rebenta numa cidadezinha cheia de tipos estranhos e festas temáticas. Lauren Graham nunca foi uma atriz complexa, e mesmo com Lorelai tinha lá seus momentos péssimos, mas a personagem era tão divertida e carismática que era impossível não cair de amores por ela. Seu jeito absurdamente rápido de falar, seu vício por café e suas referências pop afiadas, tornaram sua passagem de sete temporadas pela televisão numa experiência inesquecível.
Tony Soprano – The Sopranos
Se você tem crises de ansiedade e depressão crônica, poderia ser um mafioso em ascensão?  Tony Soprano era, e junto com a interpretação brilhante deJames Gandolfini, fez nascer para o mundo um dos – senão o maior – personagem da televisão mundial. O texto de David Chase e a estética original (verdadeira vanguarda do que se vê hoje em dia), também enriqueciam muito as coisas, e construíam uma narrativa cheia de uma tensão velada que encerrou-se depois de seis anos com um final com tantas camadas e nuances como tinha seu protagonista.
Don Draper – Mad Men
Ninguém sabe de verdade quem é esse homem, que junto com o charme de seu intérprete, constroem uma aura de suspense constante em relação a ele.Draper é sedutor, tem uma moral flexível, uma inteligência soturna e transmite uma sensação de incômodo constante aos espectadores. Seu papel na série é o da representação filosófica da ação do homem perante o mundo e do quanto há de profundidade na maneira como isso nos afeta. Um personagem notável.
Dr. House – House
Hugh Laurie já foi o pai do Pequeno Stuart Little antes de começar a mancar pelos corredores do hospital da Dr. Cuddy.  A série de David Shore tornou-se um verdadeiro fenômeno ao apresentar ao mundo um médico ranzinza, cínico, mal-humorado, cheio de uma franqueza grosseira que ao mesmo tempo, era o maior gênio na área da medicina diagnóstica. Laurie ganhou uma quantidade absurda de prêmios por conta desse icônico personagem que ao longo de sete temporadas deixou de ser uma unanimidade, mas ainda permanece único.
Carrie Bradshaw – Sex and the City
Na hora de falar de ícones, não tem como deixar ela de fora. Durante seis anos, Sex and the City reformulou o universo feminino e lançou moda. Apesar das outras três também serem protagonistas, Carrie é soberana. Até hoje Sarah Jessica Parker  - que antes de Carrie não era nada além de uma atriz de terceiro escalão – é referência dentro do universo feminino, gay e serialesco.
Olivia Dunham – Fringe
No início de Fringe, parecia que ela seria só mais uma agente do FBI com cara de estátua de cera, mas logo o destino de Olivia foi se revelando primordial para a trama e Anna Torv foi tendo mais oportunidades de brilhar. O universo paralelo trouxe uma outra Olivia, e ela foi precisando criar outras camadas da mesma pessoa. A Olívia da primeira realidade, a Olívia da segunda realidade, a Olívia 1 fingindo ser a 2 e a 2 fingindo ser a 1. Mas o melhor momento da atriz foi sua interpretação de Bellívia, a versão Olívia possuída por BellAnna pegou todos os maneirismos de fala de Leonard Nimoy e deu um show de interpretação.
Vic Mackey – The Shield
Um bom exemplo de vilão protagonista. Torcer pelo herói é comum na ficção, mas acompanhar o vilão como protagonista é bem incomum. Torcer por ele era complicado. A gente até torcia, mas pra ele se ferrar. Vic mentia como respirava, roubava, manipulava e até matava em nome de seus interesses. Inspiradíssimo, Michael Chiklis comandou sete temporadas de tensão do início ao fim (ok, a sexta temporada foi meio irregular, mas ainda assim, boa) e encerrou a série com um final dos mais brilhantes que já existiu.
Menções honrosas: Fox Mulder (que não entrou porque dividia a cena e a importância com Dana Scully), Nucky Thompson (que não entrou pelo mesmo motivo que Mulder: divide a cena com Jimmy), Rachel Berry (que não entrou porque Ryan Murphy nunca decide que tipo de personagem ela é),Patty Hewes (que divide as atenções com Ellen), Homer Simpson (que não entrou porque é um desenho) e muitos outros que mereciam, mas ficaram de fora porque enfim, lista é lista e não estatística.
Protagonistas que Coadjuvam
Em contrapartida a todos os bons protagonistas que tomam posse realmente de sua série, há aqueles que não conseguem conquistar o público e acabam sendo apenas suportados em nome do bem maior (a coerência de manter o protagonista sempre em foco). Para esses o destino cruel de serem preteridos é uma realidade. E volta e meia são obrigados a aturar todo o público adorando tudo na série, menos o que acontece com eles. Acabam coadjuvando dentro do próprio reino e viram plebeus perante o sucesso dos outros.
Rory Gilmore – Gilmore Girls
Ela aparece em todos os episódios, em todo o material promocional, lá, ao lado da mãe, tem uma série de conflitos e tal… Mas durante todas as sete temporadas, a interpretação apática de Alexis Bledel para a herdeira dosGilmore foi grande parte da responsabilidade pela sensação de coadjuvância dela.
Jack Shephard – Lost
O nome mais perigoso dessa lista. Jack tem imensa importância dentro da mitologia de Lost e suas péssimas participações na quarta e quinta temporadas foram totalmente redimidas no finale. No entanto, Jack, o protagonista eleito da série, foi engolido pelo carisma de SawyerKate, Sayd, LockeHurley e até Ben. Episódios com Jack começavam e encerravam temporadas, tinham grande valor, mas os fãs, em sua maioria, acabavam mesmo aceitando-o como parte necessária de um jogo, o que nunca significou gostar realmente dele.
Meredith Grey – Grey’s Anatony
A série tem o nome dela, mas mesmo assim ela aparece nessa lista. A razão é simples: o pouco talento de Ellen Pompeo no início tirava qualquer um do sério. A própria personagem era enfadonha e só foi começando a encontrar seu caminho no futuro. Hoje ela já é querida e indispensável, mas durante muito tempo foi engolida pelos colegas.
Sookie Stackhouse – True Blood
Ok, ela é forte dentro da série. Muito forte. Tudo gira em torno dela… Mas será mesmo que isso é o suficiente? Tirando a capacidade absurda da moça de conquistar exemplares masculinos que muitas mulheres matariam pra conquistar (uma apostila escrita por ela faria muito sucesso), Sookie é chata na maioria do tempo. Gostamos dela por dois minutos e logo depois ela volta a nos irritar com sua cara de menina assustada e sua vozinha aguda. É bem verdade que a culpa não é só da Anna Paquin (que já estragou a Vampira), mas da loucura que virou o programa. Porém ignorar que às vezes assistimos um episódio inteiro só pra ver dois minutos de Pam ou Eric, seria um erro.
Will Schuester – Glee
Em quase três temporadas eu devo ter gostado dele umas três vezes. Sua inconstância também é culpa da incoerência de alguns roteiros, mas de fato o pobre regente do coral perde de longe no quesito empatia. Ele é o fio condutor de tudo, mas suas cenas são sempre a hora de beber água ou fazer xixi.
Vivien Harmon – American Horror Story
Junto com Dylan McDermott, Connie Britton estrela essa outra série de Ryan Murphy e apesar de ótima atriz, ficou na lanterninha no quesito relevância para o público. Ela carrega lá a tal gravidez misteriosa, mas não transita em absolutamente nenhuma outra possibilidade dentro da trama. É suprimida por todos os coadjuvantes e até por seu parceiro de protagonização. Um desperdício de talento e um equívoco de criação.
Will & Grace – Will & Grace
Eles aparecem como um só porque no fim das contas, são um só. Demorou bastante para que Debra Messing Eric McCormack conseguissem chamar a atenção do público e da crítica em suas direções, uma vez que Jack & Karenlogo se tornaram ícones. Mesmo depois de aceitos e respeitados, Will & Gracesempre ficaram pra trás, renegados à posição de coadjuvantes forçados. Os melhores momentos dos dois eram quando misturados aos colegas de elenco.
Ryan Atwood – The OC
A série era sobre ele, um jovem encrenqueiro de uma região pobre daCalifórnia, que de supetão, ia morar com os ricaços de Orange County. Mas o jeitão sério com que Benjamin McKenzie interpretou o moço não o ajudou a ser o mais queridinho da série. Ninguém queria que ele fosse embora, mas todos gostavam mesmo era do Seth, da Summer e até da Julie. Somente na ótima quarta temporada é que ele começou a se soltar, mas aí… Já era tarde demais.
Dawson Leery – Dawson’s Creek
Mais um caso de personagem que dá nome a série e é engolido pelos coadjuvantes. No caso da Dawson a coisa ainda é mais impressionante, porque a quinta e a sexta temporadas foram basicamente sobre a Joey e mesmo assim, o nome do programa ainda era Dawson’s Creek. Ele continuava aparecendo, mas em plots pequenos e com muitas ausências.Kevin Willianson teria feito maravilhas pela série se não tivesse abandonado o barco nas mãos de Tom Kapinos (que hoje é dono de Californication e diz pra quem quiser ouvir o quanto achava tenebroso escrever pra DC), mas alguma coisa aconteceu no meio do caminho e Joey roubou a cena. A maldição de Dawson foi tão poderosa que seu intérprete, James Van Der Beek,foi o único que nunca conseguiu emplacar. Katie Holmes virou mito bizarro e ainda faz filmes, Joshua Jackson tem um bom personagem em Fringe e é muito respeitado por ele, e Michelle Willians foi indicada a dois Oscars e com grandes chances de uma terceira indicação por My Week With MarilynLoser dos pés à cabeça.
No próximo post vamos desvendar alguns dos coadjuvantes que nasceram pra coadjuvar mesmo e alguns outros que acabaram protagonizando o jogo. E vocês? Quais seriam os melhores e piores protagonistas do mundos das séries?