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sábado, 21 de março de 2015

Glee - 6x02 Homecoming



Glee de volta ás origens.

Digo isso com certeza pois quando o episódio é bom de verdade, a sensação que se tem é que passou até corrido demais e Homecoming continuou o plot iniciado na premiere muito bem.

Rachel e Kurt lidam com o problema maior do que Sue, os alunos perderam o interesse no grupo do coral. Blaine pena para conseguir que o tradicional e misógino conselhos dos Warblers permita a entrada de Jane na equipe.

Mesmo tendo um talento excepcional e animando a galera, Jane ainda é expulsa da Dalton. Will num jantar com Rachel, Kurt e Blaine pediu por uma competição limpa. Rachel chama os reforços de Quinn, Puck, Mercedes, Artie, Santana, Tina e Brittany para ajudar no recrutamento.













Sam e Puck tentam trabalhar em Spencer, o quaterback gay cheio de atitude que assim como dispensou o discurso de Kurt avisa que não entra no Glee pois não se interessa no clube e ponto final.

Sue muito suja e a lá primeira temporada decide usar o velho truque de sempre, infiltrar o loiro no grupo para causar discórdia. Spencer não se rende, mas ainda não é confiável. Enquanto isso o talento de Roderick chama a atenção de Rachel, mas ele não sente confiança para entrar no Glee.

Quinn é esnobada no novo clube do Celibato e protagoniza com Sam uma das cenas mais engraçadas do episódio. E que número foi aquele no meio das Cheerios? Só que Kitty está ainda na McKinley e cheia de raiva de Artie e os outros por terem desprezado o New Directions 2.0.

Gosto quando Glee tem a capacidade de fazer piada de si mesma e coube perfeitamente Brittany confundir Kitty com Quinn, afinal os personagens novatos da quarta temporada foram vendidos como o novo Finn, a nova Rachel. Esse paralelo de apresentar a nova trupe de uma maneira mais individual fez diferença.

Nesse mesmo aspecto tem piada de Tina sendo deixada de lado. Desprezada, Jane ganha passe livre para entrar no New Directions, mas Blaine avisa Rachel que a competição limpa está esgotada. Além de Tina, trouxeram Becky e as raspadinhas de volta.

A explosão de ferormônios de Quinn, Santana e Brittany atrai os gêmeos Madison e Mason e juntamente a Roderick e Jane são os primeiros pupilos do novo Glee Club. E ao final do episódio, Homecoming foi demais. Kurt digere que Blaine e Karofsky de fato estão juntos e talvez assim fiquem afinal Klaine estava chato demais.

Glee também é aquela euforia de ser tocado pelas interpretações e elas se fixarem em sua mente, em dois episódios da sexta e última temporada, essa que é outra sensação primordial de um gleek foi nos restabelecida. Que venham os próximos episódios e a diversão rumo a jornada final de Rachel e cia.

'Tudo o que Finn faria agora é papel de Rachel, a nova mentora do New Directions que precisa ressurgir das cinzas, daquele jeitinho que já conhecemos. O sucesso dessa temporada final depende apenas da medida certa de loucura que vão aplicar, mas acho que se a coisa seguir como está, teremos boas surpresas e encerramos nossa jornada com Glee cheios de amor no coração e lembrando o que nos fez acompanhar essa história até agora.'(Camila Barbieri)

Músicas nos episódio:
"Viva Voce" - The Rocketboys: Roderick             
"Take On Me" - A-ha: New Directions alumni
"Tightrope" - Janelle Monáe feat. Big Boi: Jane Hayward with Dalton Academy Warblers

"Problem" - Ariana Grande feat. Iggy Azalea: Quinn Fabray, Brittany Pierce and Santana Lopez with Artie Abrams and McKinley High Cheerios              
"Mustang Sally" - Wilson Pickett: Roderick with Quinn Fabray, Santana Lopez and Brittany Pierce         

"Home" - Edward Sharpe and the Magnetic Zeros: New Directions alumni, Mason McCarthy, Madison McCarthy, Jane Hayward, Roderick and Spencer Porter

Glee - 5x20 The Untitled Rachel Berry Project(Season Finale)

Review de Camila Barbieri
Uma temporada que não vai deixar saudade.
Esgotaram-se as desculpas.  Por muito tempo, fui tolerante com Glee e com os percalços pelos quais a série vem passando. Foram duros golpes que deixaram sua marca na produção, mas o tempo deveria curar as feridas e não deixá-las ainda mais expostas. Essa temporada foi exatamente assim. 
Uma ferida aberta sem chance de cicatrização. Uma temporada onde os erros se acumularam e na qual tivemos apenas episódios medianos ou ruins.
Nunca, em cinco anos de série eu me despedi de uma temporada com comentários assim. E eu sofro fazendo isso, podem acreditar, porque quem acompanha as reviews sabe que sou uma fã bastante orgulhosa de Glee e eu sempre tento consigo ver algo de bom nos episódios, mesmo quando a opinião geral é negativa. Desde a semana passada, no entanto, não consigo mais emanar essa positividade. 
Chego ao ponto de, pela primeira vez, admitir que Glee precisa acabar. Justo eu, que ficava dizendo que veria mais 10 anos da série numa boa. Eu veria sim, a Glee das quatro temporadas iniciais, mesmo sabendo que muita gente já odeia a Season 4.  Mas a Glee dessa Season 5? SOCORRO. Espero não ter que passar por isso nunca mais. Temporada sem brilho, sem graça, sem rumo.
É impressionante, aliás, como essa Season Finale é exatamente cabível na descrição acima, embora eu deva acrescentar também o termo “sem noção”. Sei por que fizeram o que fizeram. 
Na temporada final, que será exibida só na Mid-Season 2015 (sintam a decadência) os roteiristas pretender dar um salto temporal, zerar o placar e reiniciar o jogo, criando novos rumos para a despedida de cada personagem. É compreensível e espero que funcione, pois do jeito que está não pode ficar.
Talvez a única história que ainda faça sentido seja a de Rachel. A trajetória e as atitudes dela, mesmo questionáveis, são o que se espera dela. Como sabemos, o objetivo da série é nos levar nessa jornada dela, rumo ao estrelato e até aí temos coerência. Inclusive, a única coisa que faz sentido nessa finale é Rachel e sua tentativa de ir para a TV.
A roteirista maluca é o perfeito retrato da equipe de Glee, que cria um monte de plots aleatórios usando os atores como inspiração, mas a boa ideia termina aí. Acho que meu único momento de “leve sorriso” foi quando a moça roteirista enfia um donnut no sutiã e a reação de Artie é super pontual. Fora isso nada mais se salva no quesito humor.
No quesito musical, as escolhas continuam impressionantemente chatas. Mal lembro de “Glitter in The Air” e “Shakin’ My Head”, com Mercedes e Brittanny foi uma das coisas mais avulsas, o que corrobora a aparição da própria Brittany. De boa, o que é que ela estava fazendo nessa Finale? Onde estava Santana? É inaceitável, embora eu adore Brittany. Ela não teve qualquer função no episódio, apenas surge e fica lá, soltando frases sem a menor graça.
E por falar em sem graça, sei que a coisa está grave quando nem Sam está funcionando como alívio cômico. “Girls on Film” foi um péssimo clipe e o plot com Mercedes é de fazer revirar os olhos. Os dois não funcionam como casal e depois de toda a patacoada que nos obrigaram a ver, decidem que vão ficar separados. 
Mercedes vai ter uma longa carreira de apresentações em shoppings e Sam vai voltar para Lima, porque já alcançou seu objetivo de estar estampado na lateral de um ônibus com as “partes” destacadas. Quanta idiotice.
Artie, depois de ser amigo de metrô da Rachel não fez mais nada. Só passeia de cadeira de rodas pelos corredores da faculdade de cinema, enquanto Kurt e Blaine não saem do tema “casal de meia idade em crise”. Essa trama de Blaine sendo protegido por velhas senhoras se tornou bem patético. Adorei que o lançamento de sua carreira é estrondoso e cabe numa sala com 50 pessoas anônimas. Nessa toada, melhor cantar com Mercedes em shoppings ou virar cantor de churrascaria.
Também não entendi o lance de June querer destruir Kurt e de uma hora para outra sorrir feito anjo e dizer que o acha maravilhoso. DAI-ME PACIÊNCIA.“ American Boy” não foi tão boa assim pra convencê-la a mudar de opinião. E só para constar, as músicas idosas com June e Blaine são soníferas, a exemplo de “No Time at All”.
Para finalizar, decidem que todos precisam voltar para NY seis meses a partir daquela data e vemos mais um número musical pessimamente inserido com “Pompeii”. O objetivo seria nos emocionar e nos fazer voltar pra última temporada, mas o episódio falha nisso miseravelmente. É claro que, a essa altura, vamos ver Glee até o final, mas sem qualquer expectativa.
Confesso que achei que Glee escaparia da tradição que acomete todas as produções de Ryan Murphy, mas já vi que me enganei. Se vocês, assim como eu, já viram tudo feito por ele, sabem que não há sequer UMA série dele que termine de maneira satisfatória. Que esse longo tempo fora do ar opere em nosso favor.
Músicas no episódio:
Shakin’ My Head – Glee: Mercedes Jones & Brittany Pierce
All of Me - John Legend: Blaine Anderson
Girls on Film - Duran Duran: Sam Evans
Glitter in the Air - P!nk: Rachel Berry
No Time at All - Elenco de Pippin: June Dolloway & Blaine Anderson
American Boy - Estelle feat. Kanye West: Blaine Anderson & Kurt Hummel
Pompeii – Bastille: Artie Abrams, Blaine Anderson, Brittany Pierce, Kurt Hummel, Mercedes Jones, Rachel Berry & Sam Evans

sexta-feira, 20 de março de 2015

Glee - 5x19 Old Dog, New Tricks

Review de Camila Barbieri
Chris Colfer, apenas pare.
Glee não está muito bem. Essa tem sido uma temporada perdida, que variou entre episódios medianos e ruins a maior parte do tempo, mas chegamos a um ponto crítico essa semana, com “Old Dog, New Tricks”. O episódio foi escrito por Chris Colfer e isso seria apenas um detalhe, se o roteiro não fosse o pior dessa temporada. Poucas vezes sofri tanto durante um episódio de Glee. E sofrimento não pelo drama, sofrimento por ter que assistir a quarenta minutos de pura tortura. Esse foi um episódio monótono, inútil, sem um pingo de humor e recheado de clichês e ideias batidas sobre tudo.
Apesar de alguns minúsculos desenvolvimentos de trama, como no caso de Santana e Rachel, sou obrigada a considerá-lo como episódio filler. Não é na totalidade, mas como ver ou não ver “Old Dog, New Tricks” traria o mesmo resultado, digo que é filler. E um filler péssimo. Você sabe que um episódio de Glee foi ruim quando nem mesmo Sam e suas piadas conseguem te fazer esboçar um sorriso. Então, Chris Colfer, meu querido, repito minha frase de abertura. Apenas pare. Glee já não está bem e você ainda a está piorando.
Gostaria de poder dizer que fiquei comovida com as grandes questões humanitárias propostas, mas apenas senti imenso sono. Fiquei completamente aborrecida ao ver “I Melt with You” cantada para cachorros, pensando que definitivamente teria sido melhor ir ver o filme do Pelé, só para lembrar uma velha piada ruim. A sequência toda é um impropério. Música ruim, coreografia ruim, proposta ridícula.
Honestamente, como deixaram isso ser filmado? Glee tem muitas tramas sem pé nem cabeça, mas existe pelo menos um traço de humor nelas. Aqui não. Rachel precisa de uma “boa causa”, cria a “Broadway Bitches” por influência de Santana e depois disso vemos um monte de coisas sem o menor sentido se desenrolando. A única coisa aceitável é a inclinação de Santana para essa profissão que exige esperteza e agressividade.
Depois ainda ficamos com Sam e Mercedes discutindo relação, enquanto o pobre cachorrinho ficava entre eles. E Sam ainda nos lembra que é loiro, lindo e bobo, mas que já sustentou a família como “dançarino exótico”. Artie no meio desse imbróglio estava mais perdido que cego em tiroteio e nem preciso dizer que o clipe de “Werewolves Of London” que era basicamente Sam sendo Pateta e ensinando Pluto a agir como cachorro foi um vexame. Não quero lembrar disso nunca mais na vida.
Então, passamos para o grande plot de Kurt, largado por todos e sem futuro na série, mas agora o novo protagonista do teatrinho no asilo de idosos. Seria fofo se não fosse não tão trabalhado. Usaram Maggie da forma mais óbvia possível. Ex-estrela da Broadway abandonada pela filha num asilo, contando com seu mais novo amigo para salvar a peça e reuni-la com a filha desalmada, que do nada, sorri com olhos amorosos para a mãe. Não entendi. Não entendi mesmo.
Não ri quando a velhinha que faria Peter Pan morreu para dar lugar a Kurt na peça. Não foi engraçado. Foi apenas de extremo mau gosto, assim como as músicas com sonífero que apresentaram. “Memory” me fez apagar três vezes. “Lucky Star” não cumpriu o papel de transformar os idosos em figuras energéticas e cheias de vida. Não rolou, porque tudo o que vimos foi Kurt voando feito um tonto para la´e para cá. Por fim, “Take Me Home Tonight” é a canção sem graça que une os dois plots em algo ainda mais sentido e mais raso.
Imagine só, um espetáculo com idosos que tentam te fazer adotar um cachorro enquanto você come um hambúrguer na lanchonete. Super viável, não é mesmo? Não valeu nem pela tentativa de criticar as celebridades que marcam hora com paparazzi para fingir que fazem algo de bom. Não valeu para nada. Esse episódio é só uma mancha negra na temporada. Para não ser visto e para ser definitivamente esquecido.
Músicas no episódio
- I Melt with You: Modern English – Sam Evans, Artie Abrams, Rachel Berry & Mercedes Jones
- Memory: Elenco de Cats – Kurt Hummel, Maggie Banks & The Elderly
- Werewolves Of London: Warren Zevon – Sam Evans & Artie Abrams
- Lucky Star: Madonna – Kurt Hummel, Maggie Banks & The Elderly
- Take Me Home Tonight: Eddie Money – Artie Abrams, Kurt Hummel, Rachel Berry, Blaine Anderson, Maggie Banks, Sam Evans, Santana Lopez & Mercedes Jones

quinta-feira, 19 de março de 2015

Glee - 5x17 Opening Night



Review de Camis Barbieri

Uma tigela cheia de Rachel Berry.

Chegou o grande momento de Rachel. Anos e anos de preparação e de inseguranças convergem nesse episódio que só não foi melhor porque pesaram a mão em tramas paralelas completamente desnecessárias.  Tudo ia muito bem, até decidirem que precisávamos daquele plot completamente avulso com Sue Sylvester. 

Por mais que a gente goste da personagem e de seus momentos de pura agressividade gratuita, a coisa foi feita de um modo bastante “nada a ver”, na falta de melhor definição.  É por isso que já começo eliminando isso do nosso caminho, porque não existe nada que justifique Sue ir para NY, aparecer na casa de Rachel, se hospedar lá e ter um romance com um homem ainda mais avulso do que o plot como um todo.





Provavelmente, esse novo amor de Sue seja a desculpa plantada para levar a personagem para NY no ano que vem. Algo que não faz sentido, se me permitem a opinião. Sue é, como ela mesma diz, uma garota de Lima, um peixe grande nadando no lago pequeno e não vejo como encaixá-la com a atual realidade nova-iorquina. 

Jeito tem, é claro. Jeitos ruins, como o que vimos nesse episódio. Glee sempre faz essas coisas. Criar uma desculpa esfarrapada e deixar tudo solto, mas no atual momento, não dá para aturar. E o destaque para Sue nesse episódio foi um grande erro estratégico, porque o foco em Rachel, como fiou provado, já era o suficiente para segurar a onda.

Talvez todo o imbróglio com Sue tenha servido apenas para que Rachel pudesse dizer tudo o que cada membro do New Directions queria dizer e nunca pôde. Mas fora essa cena o resto todo é uma peça que não se encaixa nesse quebra cabeças. O caso de Will já é diferente. 

Ele tinha motivação para ir a NY e o nascimento do bebê coroa também o que foi proposto para o personagem nessa temporada. Sim, as aparições de Will são raras e muitas vezes também sem sentido, só que essa fecha um ciclo. 

Ele estava ali para ver uma de suas pupilas realizar um sonho, um sonho que também é o sonho dele, mas ao mesmo tempo a realidade chama. O pequeno Daniel Finn Schuester acaba de nascer e Will tem nova motivação na vida.

Sobre Rachel e seu momento de pânico, acho que é apenas natural. Ela é jovem e insegura, apesar de talentosa. E um pouco de nervosismo é bom para manter o pé no chão e não deixar a fama subir à cabeça. 

Claro que Rachel deve se tornar diva das divas e pedir mil toalhas brancas com uma estrela dourada bordada a partir de agora, mas esse lado sensível e amedrontado dela foi bem humano e revela a faceta de atriz. Rachel precisa dos holofotes para se sentir amada e reafirmar seu talento. Ela sabe disso e foi interessante ver na tela. Geralmente as pessoas mais inseguras são as que buscam a fama, para tentar compensar o desnível no ego.

Obviamente, não dá para não amar a aparição de Tina e toda sua delicadeza paquidérmica. Ela detona Rachel como se fosse um trator e revela que há hábitos que nunca morrem. Pobrezinha da nossa #asiannumberone continua procurando amor nos braços de homens gays (ou g0ys, já que está na moda), iludindo-se sobre seus relacionamentos e escrevendo péssimos bilhetes que personificam a falsa Barbra (e não Barbara) Streisand.

Como era de se esperar, os números musicais não poderiam fugir muito do teatral. Gostei de “Lovefool”, apesar de não entender bem a escolha dessa canção apara ilustrar o pesadelo de Rachel. “NYC”, com Will e Sue me pareceu como uma dessas sequências que entraram só para não dizermos que eles não cantaram no episódio, embora seja bem dispensável. Não entendo porque sempre que alguém vem para NY (ou Los Angeles) é preciso cantar uma musica sobre essa grande viagem. Uma vez, duas vezes a gente aceita. Mil vezes já são além da conta.

Os musicais de Funny Girl, “I’m the Greatest Star” e “Who Are You Now?” não tem lá muito brilho, mas passam pela média e porque não tinha como escapar de ambas as cenas. Acho só que, repito, Sue Sylvester não tinha que cantar com Rachel. Não vi o menor sentido e continuarei não vendo. Para encerrar, “Pumpin’ Blood” foi uma dose de animação, mas também não entra na lista de números memoráveis. Aquilo de todos os gays reconhecerem Rachel na balada foi bem... BOBO? Talvez coisa pior. Mas esse é, afinal, o nascimento de uma estrela e, daqui em diante, Rachel Berry terá sempre uma estrela dourada perto de seu nome, marcando a porta do camarim e deixando claro que sim, ela veio para NY e conquistou a Broadway em sua primeira tentativa.

P.S* Não gostei muito de Santana ser responsável por tirar Rachel da fossa. Honestamente, muito clichê.
P.S* Tive a sensação de que Rachel iria cair das escadarias sem fim daquele teatro e literalmente “quebrar a perna” na noite da estreia.
P.S* Boa a lista de personagens que faltaram à estreia de Rachel ser lembrada, mas ninguém estava realmente esperando a aparição de Quinn, Puck, Brittany e outros.

Músicas no episódio:
Lovefool: The Cardigans - Rachel Berry, Blaine Anderson, Kurt Hummel, Sam Evans, Santana Lopez & Tina Cohen-Chang
NYC: Elenco de Annie - Sue Sylvester & Will Schuester
I'm the Greatest Star: Elenco de Funny Girl - Rachel Berry
Who Are You Now?: Funny Girl - Rachel Berry & Sue Sylvester
Pumpin' Blood: NONONO - Rachel Berry, Santana Lopez & Mercedes Jones

domingo, 15 de março de 2015

Grey's - 10x03 Everybody's Crying Mercy

 

A difícil tarefa de dizer Adeus.

"Existe este jogo do playground que as crianças brincam. Seguram as mãos e contam até três eles tentam tirar os dedos uns dos outros fora. Você adia enquanto pode ou pelo menos mais do que a outra pessoa. O jogo não termina até que alguém diz "pare", desiste, e pede misericórdia. Esse não é um jogo divertido.
No jogo de misericórdia quando uma criança chora, o outro escuta e a dor para. Você não gostaria que fosse assim tão fácil agora? Não é mais um jogo e nós não somos crianças. Você pode pedir misericórdia o quanto quiser, mas ninguém está escutando. É só você gritando para um vazio ".

 
Review de Camila Barbieri

Cada dia mais fico intrigada em conhecer os rumos de Grey’s Anatomy sem nossa amada Sandrinha Oh. Cristina, depois de 10 temporadas, ainda é uma personagem interessante e que nos cativa por seus picos de maldade ou por seus momentos de abertura emocional. Indo de um extremo a outro nesse episódio é que ela me fez pensar em como a série ficará “um pouco menos” sem sua presença. 

Ri com e me compadeci de Cristina nesse terceiro episódio e, mais do que nunca soube que estamos prestes a perder alguém essencial.
Cristina foi fantástica ao zombar de Alex e usá-lo para achar sua vida um tanto menos dramática. 

 

 

 

 



Não está fácil para ninguém, mas para Alex, que não consegue nem fazer sexo com a nova namorada, pode ser que esteja um pouco pior. A verdade, é claro, é que Cristina ri e tem a lucidez de que precisa agir antes de uma recaída com Owen, mas ela resiste e se força a sair do ciclo vicioso que se tornou esse relacionamento.

Por mais que eu sempre tenha adorado os dois juntos, é preciso admitir que chegou a hora, não só pela saída de Cristina, mas pelo bem da trama. Isso não quer dizer que eu não fique incomodada ao ver tanto Owen quanto Cristina se negando o que mais desejam. 

Estar juntos não é uma opção, porque ali, alguém teria que fazer uma concessão grande demais para que o futuro como casal existisse e a grande ironia é que essa mesma concessão destruiria tudo. 

É um beco sem saída e a solução, ao que tudo indica, é sair com outras pessoas.
Também gostei do papel que Owen desempenha no episódio. 

Ele mostra para Avery o caminho que as coisas devem seguir, porque se as vidas pessoais estão uma bagunça, depois da tempestade o hospital também vive no caos e uma coisa vai piorando a outra. Apesar de tudo eles precisam ser profissionais, embora não seja fácil passar por cima de dores, traições e noites mal (ou não) dormidas.

Foi bom ver Callie sendo sensata e entendendo que Arizona precisa mesmo de terapia, já que virou outra pessoa depois do acidente de avião. A sinergia de acontecimentos na casa de Derek e Meredith foi engraçada e ao mesmo tempo me deixou cansada. Não sei se era a maquiagem ou se deixaram os atores sem dormir por dias antes de gravar, porque estava tudo muito real.

Como se nada fosse e sem sexo interferindo, April consegue passar nos testes e meio que vive um drama parecido com o de Cristina, exceto pelo fato de que Avery é quem não quer ser tocado ou ter mais do que uma amizade com ela. E no tema de amizades coloridas, fiquei sem entender onde estava a chatíssima Catherine quando alguém precisava enfiar comida pela goela de Richard.

É de doer na alma que um personagem maduro, adulto, um médico experiente, fique de chorinho e frescurinhas tentando morrer de inanição, enquanto Baley e Meredith ainda permitem que ele aja como criança mimada. 

Por mais que Richard seja uma figura de autoridade para as duas, isso não justifica a série de equívocos e receios das duas. Pelo menos Ross resolveu a parada com certa agilidade, acabando de vez com a história mais furada da semana.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Grey's - 9x05 Beautiful Doom


Apenas Meredith e Cristina. Para quê mais?(Review de Camila Barbieri)
Às vezes, as coisas são simplesmente fora de seu controle. Você não pode mudá-las. Você não pode dobrá-los à sua vontade. Não importa se você já está 45 minutos atrasado, seu cabelo não é escovado, você não ter feito o  café da manhã e você está sangrando células cerebrais pelo segundo enquanto esta sentando aqui. Morrer - morrendo por dentro.....
Essa semana é uma daquelas em que a fé abalada em Grey’s Anatomy pode ser restaurada. A série se dedica a apresentar um episódio de estrutura simples, com foco nas duas grandes protagonistas, cada uma em um canto, com seus problemas, rotinas e dramas, mas sem jamais deixarem de estar interligadas. Meredith é a pessoa de Cristina. Cristina é a pessoa de Meredith. E assim, o episódio ganha força dramática absurda e emociona daquele jeitinho tão tradicional de Grey’s Anatomy.
A trama cresce exponencialmente e dá para prever que as histórias vão se cruzar além da linha telefônica. A gente só não faz ideia de que vai chorar (e muito) com um resgate e com uma morte. E antes que alguém diga que tem mortes demais na história recente da série (e eu não discordo dessa afirmação), farei uma defesa da que ocorre nesse episódio. 
Ela é absolutamente pontual e vem para marcar a evolução de um dos personagens. Ela não é feita para chocar nem nada assim e se encaixa perfeitamente nas intenções do roteiro.
É impressionante notar como a relação entre Cristina e Dr. Thomas se desenvolveu profundamente em apenas cinco episódios. É também notável nosso envolvimento com eles e essa é a parte mais importante, provavelmente. Dr.Thomas, que começa irritando Cristina com seus métodos arcaicos, se transforma num mestre. Ele é o primeiro amigo que ela faz depois do acidente, talvez o primeiro amigo verdadeiro desde Meredith. Para ele, essa amizade e o companheirismo profissional têm força imensa e logo já torcemos para que Dr. Park se exploda. Cheguei a cogitar que Cristina voltasse para Seattle e levasse Thomas como uma espécie de sidekick.
Cada diálogo dessa dupla ia dando mais e mais força para a situação. Não era só a luta por princípios e por dignidade, era uma questão de salvar vidas e praticar a medicina sem que egos costurassem o caminho. Thomas ensina para Cristina que o que importa é o paciente. O que importa não é apenas ser o melhor e ser bajulado. 
É saber manter a cabeça no lugar e ter a grandeza de passar para frente seus conhecimentos. Tudo o que está contido nas conversas deles é lindamente construído. As piadas internas, a imposição natural de respeito, o aprendizado. 
Quando Dr.Thomas literalmente “cai durinho no chão”, as lágrimas são inevitáveis. Cristina está perdendo mais alguém e  é isso que a conduz de volta para casa e para sua melhor amiga. Não poderia ser mais perfeito.
Em Seattle, cada atitude da nova Meredith chega a dar orgulho. Creio que nunca gostei tanto da personagem como agora. Uma mulher independente, decidida e que se equilibra entre trabalho e família. Mesmo com tudo por que passou, Meredith não endureceu. Não perdeu a alma e a candura. É por isso que torcemos para que ela salve a paciente acidentada.  Não é só ela quem precisa disso, mas nós também. Num mundo cheio de desgraças, alguém precisa ser salvo. 
É preciso acreditar que na pior situação o importante é não desistir antes da hora. Meredith usa seus talentos e conhecimentos para provar isso a si mesma e aos colegas.
Ganha respeito do Chief, dos internos e até de Bailey. A cena entre as duas, com os telefones das babás, pode parecer boba, mas não é. Bailey é uma pessoa difícil de agradar e ali, Meredith provou seu valor, como profissional e como mãe. 
Não dá para negar que todo o imbróglio com Zola, passando de mão em mão é engraçado (e mais engraçado é mandar nuggets de peixe pra o Brasil Day na creche) e essa dose de leveza cai como uma luva. Dancinha de 30 segundos, super merecida.
Foi muito bom ver esse episódio mais “limpo” e sem tantos focos variados. As aparições de personagens foram pequenas e uteis, mas não roubam a cena das atrizes principais. A folga de certos dramalhões também foi excelente para nos deixar respirar. 
Esse era o momento de reunir Meredith e Cristina e elas mereciam destaque. Ninguém (talvez só o público) sofreu mais do que elas com o acidente de avião e aí, quando ouvimos aquele desabafo - “Lexie morreu.” – durante o abraço de reencontro é impossível não se entregar novamente, diante da certeza de que Grey’s Anatomy, mesmo com tantos erros e tropeços, é grandiosa quando acerta no alvo.
Dr. Thomas:
Cirurgiões Medianos irão ver você em sua sombra. Não encolha para consolá-los. Não olhe para os amigos aqui - você não vai encontrá-los. Nenhuma dessas pessoas tem a capacidade de entender você - nunca o fará. Se você tiver sorte, um dia, quando estiver velha e enrugada como eu, você vai encontrar um médico com pouca consideração para qualquer coisa, e seu ofício e você vai treiná-los como eu a treinei. Até então, ler um bom livro. Você tem grandeza em você, Yang. Não decepcione.

sábado, 18 de outubro de 2014

Grey's - 8x23/24 Migration/Filght(Season Finale)


Seguindo em frente.

Então tem esse pássaro ... uma espécie de andorinha, eu acho, todo mês de setembro, milhares voam da chuvosa Seattle , rumo ao inverno no México, estas aves não são burras....e todos os anos, um monte de pessoas se reúnem ao redor de Seattle, para beber cerveja e assistir, aqui os rebanhos decolar. Que eles chamam de "a grande migração".......Eu não sei como essas aves conseguem. Viajar milhares de quilômetros sem se perder. Bater em janelas, sendo comidos por gatos. Mas a cada primavera, eles estão sempre aqui. Eu acho que eles voltam para o que sabem. As pessoas dizem que é muito legal, observando-os ir. Eles dizem que você pode realmente ver o momento em que, em algum misterioso sinal, de uma só vez os pássaros decidir sair. Mas tanto faz ... há sempre o próximo ano. "

Com os resultados positivos(e catastrófico no caso de April), Meredith e a cambada dos atendentes comemoram com pinga e dança, mas a verdade é que as coisas estão incertas.

Para esse fim de temporada, de uma temporada extremamente cuidadosa em preparar despedidas, a criadora Shonda Rhimes avisou publicamente que não sabia quais contratos seriam renovados. E com esse espírito ela entregou a Meredith, Cristina e Alex, um ano de supremacia, um ano de maturidade, um ano de crescimento. E os outros personagens tiveram seus momentos derradeiros também.

Lexie tenta ser discreta e dar espaço a Mark depois de sua épica declaração, que foi disparado um dos melhores momentos românticos da série. Mark é meio lento para colocar as coisas na balança e a mini-Grey sabe disso. Por isso ela fica na dela e Mark diz que está pensando na proposta.















Ben prepara Miranda para uma revelação importante, mas o dever chama e Bailey vai correndo para o hospital. Ela e Derek descobrem que um casal está com parasitas carnívoros dentro do corpo. Derek precisa remover rápido o verme do homem, senão ele fica tetraplégico.

Mas como seguirá o hospital sem Yang? Sem Grey ou Karev? É em cima dessa hipótese que esta pré-finale é embasada. Meredith tem Cristina como sua melhor amiga e indispensável na sua vida, a esse ponto, Derek já está careca de saber que ambas são fundamentais na vida uma da outra.

Mas daí Zola chegou, o casamento real chegou e ela não tem muitos argumentos para não seguir o marido para Boston. Karev surpreende sendo convidado pelo hospital que carimbou Arizona a ir direto para a ala pediátrica deles.

Cristina ainda é uma incógnita para Owen e Teddy, de tantos convites que ela recebe até tentar alegrar April diante de mais uma recusa ela faz. Mas a coisa está tão feia para Kepner que nem Owen decide mantê-la no quadro de médicos do próximo ano.

Arizona encara com pesar se despedir de seu amigo, Callie tenta confortar a esposa. Mas a dor não dá muitas opções para a loira se recompor e demais ainda tem a debandada surpresa de Karev. Cristina procura Owen e passa a noite com ele na salinha. Mas de manhã, novamente fria e focada, ela decide deixar o hospital.

Bailey também brilha no episódio, mas a sua estabilidade com Ben também fica em jogo, depois que ele aceita o convite de trabalhar em outro hospital. E isso nem uma sorridente e sexy Miranda Bailey pode engolir tão rápido.

Lexie, Mark, Derek, Cristina, Arizona e Meredith embarcam para fazer uma cirurgia em um hospital....e de repente só sabemos que o avião caiu. Todos estão em perigo. E só então sabemos que o golpe final da temporada de Shonda para os fãs está a caminho.

O que vem pela frente esmagou os corações de fãs em todo mundo.

“Eu gostei da ousadia disso. Eu gostei de dizer, sim, nós vamos colocar nossos médicos num avião e sim, nós vamos derrubá-lo. O que é insano e faz sentido. E sim, nós vamos colocá-los na floresta e nós vamos matar Lexie no segundo ato porque esse é o tipo de coisa que você não faz numa Finale. Eu gostei de subverter as expectativas”. Shonda Rhimes

O episódio começa com um flash de Richard informando aos na época novos internos, que a vida no Seattle Grace era vivida em tons de cinza. Nada mais coeso e poético para demonstrar o apuro real da queda do avião.









Meredith desperta em meio aos gritos histéricos(e compreensíveis) de Arizona com uma das pernas presa por um compartimento do avião e outra perna quebrada e a negação de Cristina, ainda sim fazendo graça por não saber onde foi parar seu sapato.

Derek quebra a própria mão para deixar sua armadilha. Mas Meredith não faz ideia da onde ele está.
Mais concentrada, Arizona tenta manter o piloto calmo para não ter fraturas mais sérias.

Para Lexie a coisa é ainda mais feia. Esmagada por um compartimento ainda maior, ela tem poucos momentos para se despedir de Mark. O grande amor de sua vida e de quem estava tão perto de ser finalmente feliz. A atriz quis sair da série e Shonda preparou esse massacre para alguém tão querido como Lexie.

Não podemos deixar de lado a qualidade técnica do episódio, o talento maravilhoso dos atores envolvidos e que o episódio foi bom em sua ousadia, ele não foi ruim, só o que aconteceu foi errado. Errado demais.

Segurar as lágrimas fica um pouco difícil, diante de uma situação tão trágica. Em seus últimos segundos, Lexie pensa em como poderia ter sido sua vida com Mark, se despede dele e através dele da irmã e em segunda instância de Cristina.













Mas a despedida com Sloan foi cruel, o coração de todos os fãs, mesmo os que não eram fanzocas do casal sofreram. É uma perda para série. Diante de tudo que Lexie foi com suas excentricidades e esquisitices. É um adeus para a Mini-Grey, tão querida Lexiepedia. E depois dos vinte minutos iniciais, ela morre.

Cristina sofre com a perda de Lexie, mas tenta manter todos focados em sobreviver. Meredith chora e reencontra Derek, fazendo um procedimento arriscado para mantê-lo vivo. Mark desfalece e tem hematomas enormes no peito.

No Seattle, Teddy e Owen reatam sua amizade, mas ela avisa que não aceitou uma vaga para chefiar a ala médica do exército norte-americano diante da recusa de Yang em ficar em seu lugar no hospital.

Callie nem tem ideia do perigo que Arizona está correndo e prepara uma noite romântica para as duas. Jackson cuida de April e os dois vão juntos ao famoso jantar de Webber.

De volta a selva, Cristina e Meredith perdem a chance de atrair a atenção de um helicóptero quando o sinalizador não funciona. O desafio é se manter vivo até o resgate.

Owen demite Teddy para que ela possa seguir em frente e agarrar a oportunidade do Medicom. Foi uma boa saída para a personagem. Kim Raver pode ter tido pouca história na série, mas cumpriu seu papel muito bem.

E nos últimos segundos de episódio, Owen finalmente ouve a mensagem derradeira. Seus médicos estão em território desconhecido, lutando contra fome e frio. E nem todos podem chegar vivos até a temporada nove.



Curiosidades do episódio:

*Assim como toda temporada, este episódio tem um espírito de dúvida já que a equipe de roteiristas não sabia ao certo quem teria seu contrato renovado.

*Shonda Rhimes assumiu o desafio de escrever Flight e após a enxurrada de raiva e comoção pela perda de Lexie ela chegou a deixar o Twitter por uns tempos e dizer que concordou que o fim foi insatisfatório, pois amava demais os personagens de Lexie e Mark para terem sua história finalizada dessa forma.

*Chyler Leigh era a única que sabia os rumos da personagem para o fim da temporada oito. Assim como Kim Raver, a Teddy. O elenco descobriu a saída de ambas na mesa de leitura do episódio, um momento que como divulgado foi muito comovente para todos.

*Como sua saída foi a que mais chamou atenção de público e da mídia, Chyler foi defendida por Shonda que afirmou que ela teve suas razões para deixar o programa e que sua decisão deveria ser respeitada. Shonda foi além e ressaltou que o que acontece na família da gente, não deve sair da família.

*O elenco de Grey's é sempre destaque, mas o time feminino do desastre deu um show a parte. Sandra Oh é sempre unanimidade, Ellen Pompeo gravou as sequências com diversos dedos quebrados. E Jessica Capshaw encarou o tranco em plena gravidez de nove meses. Quanto a Chyler, só sei que sentiremos saudade das caras e bocas de Lexie, de sua inteligencia aguçada e tanta meiguice que só ela tinha.

Review de Camila Barbieri

Originalmente publicada em 19 de maio de 2012


Escrever essa review sobre a Season Finale de Grey’s Anatomy é, provavelmente, uma das coisas mais complicadas em todos os meus anos falando sobre séries. A opinião geral sobre o que aconteceu é a pior possível e a minha não é diferente. Tentei, no entanto, me distanciar um pouco da paixão de fã e enxergar o que tudo isso significou. Demorei longas horas filosofando, lendo entrevistas, conversando com amigos e outros fãs.


 Nada, absolutamente nada conseguiu explicar o que vimos nesse final de temporada. Não sei se é o choque, o ódio ou minha vontade de dar uma voadora no cara de Shonda Rhimes falando mais alto, mas minha conclusão é uma só: com apenas um episódio, essa mulher foi capaz de invalidar a experiência de uma temporada inteirinha.


Lembram de como começamos? Inseguros, depois de um período meio claudicante na temporada anterior, mas felizes a cada semana em que a trama se desenvolvia mais e melhor. Elogiamos cada bom momento. Choramos com cada drama bem encaixado. Cada vez mais confiantes de que a série estava de volta aos trilhos e ganhara fôlego ao valorizar coisas simples e investir em humor leve.


Essa Finale foi justamente o oposto e minha revolta não é só porque mataram uma das minhas personagens preferidas. Minha revolta é por perceber que Shonda Rhimes é o tipo de showrunner que se acha maior do que a série que produz. Ela não suporta não ser o centro das atenções e não gerar pelo menos uma polêmica por temporada. Repassem o histórico da série e isso ficará evidente.


Shonda Rhimes é o tipo de pessoa que arrisca o futuro de uma série de oito anos completos só para aparecer na mídia. É por isso que a chamei de attention whore. Ela merece o título. Li todas as entrevistas dela tentando se justificar, li seus tweets. No fim das contas, ela está lá, no conforto de sua mansão, rindo de todos nós, enquanto inventa versões distorcidas da verdade. Engraçado como em uma única entrevista Shonda consegue alegar os mais variados motivos para os acontecimentos do episódio mais polêmico desse ano.


Uma hora Chyler Leigh quis sair, na outra é porque a atriz está com problemas pessoais que Shongamonga não pode divulgar. Em seguida, ela alega problemas contratuais e falta de grana, depois diz que debateu isso com a atriz por meses e que decidiram o destino de Lexie juntas e, para completar, assume que adorou nos fazer o que fez, porque se acha uma subversiva. Espere aí, qual é a verdade, a final? Que série é essa em que a produtora executiva não tem nenhum poder de decisão? Fingimentos e mentiras resumem o imbróglio.


O pior é saber que ela conseguiu o que queria e que, no ano que vem, o público volta para conferir suas novas loucuras. Só não sei por quanto tempo mais Grey’s Anatomy irá se sustentar. Do jeito que a temporada estava sendo conduzida eu via um caminho bom a ser trilhado, pelo menos em médio prazo. Agora eu penso em toda a patacoada que teremos de aturar e me pergunto: será que tenho ânimo de continuar?


Sei que a morte de Lexie é algo realmente revoltante. Minha reação foi a de parar o episódio, fechar o player e desistir de ir até o fim. Eu estava fora do meu normal, chorando de tristeza e de raiva, ao mesmo tempo. Agora, um pouco mais contida, eu vejo que as lágrimas não eram só pela situação mal resolvida, eram porque eu vi ali a morte de uma série que eu realmente amo. Era o assassinato de Grey’s, diante de meus olhos e pelas mãos da própria criadora.


Não foi sem muito esforço que me obriguei a terminar o que havia começado, mas foi tão difícil chegar até o fim... Ainda é difícil de falar e de colocar isso aqui, sem ficar com olhos marejados e coração revoltado. Fico pensando no que a série se transformou. Num palanque de divulgação para uma pessoa que se julga uma visionária e passa por cima de tudo, desde que alcance seus objetivos. Sabem o que vem por aí? Mais daquele drama chato que nos incomodou depois do tiroteio no Seattle Grace. Parece até que Shonda não sabe lidar com estabilidade. Para ela Grey’s tem que variar entre Excelente e Lixo Completo.


À parte de todas as reclamações que tenho - porque para mim, essa queda de avião era completamente desnecessária e todos os problemas de elenco (se é que existem) poderiam ser resolvidos de milhares de outras maneiras – eu preciso louvar aqui o trabalho desse elenco.


Sou só elogios para as atuações de Sandra Oh, Ellen Pompeo, Patrick Dempsey, Jessica Capshaw, Eric Dane e Chyler Leigh. Eles foram todos tão fantásticos que chega a ser um pecado criticar o episódio. Cada um deles me emocionou a sua maneira. Com o surto de Cristina e seu sapato sumido, a preocupação de Meredith com o marido e a irmã, a possibilidade de Derek perder sua habilidade de operar, os gritos histéricos de Arizona e claro, a despedida de Sloan e Lexie, umas das cenas mais terrivelmente doídas a que já assisti.


O curioso é notar que no meio daquele caos, Cristina começa a falar que está cansada de ver os amigos morrerem e que tudo isso, essa quantidade absurda de tragédias, não é normal. Pois é Cristina, não é. Se os roteiristas (que ao que tudo indica, apoiaram muito as decisões sobre essa Finale) sabem que não é normal, porque forçam tanto a barra?


A mensagem de Callie, de que a vida muda num estalo, foi colocada em prática. É assim que justificam o final repentino de Lexie, sem realizar nada de concreto, sem ser feliz de verdade, sem nada. Lexie seria um exemplo para todos nós, mais uma das metáforas da série, mas essa temporada já havia nos dado tantos outros (como Henry) que não precisávamos de mais essa. Mais uma vez fico dando voltas na mesma ideia, como se pode notar.


A tragédia na floresta foi tão intensa e cheia de momentos desesperadores, com ferimentos graves expostos e surtos nervosos, que a parte no Seattle Grace meio que se perdeu. Verdade seja dita, o ato “ousado” de matar Lexie no segundo ato prejudicou todo o episódio. Depois daquilo era impossível se prender a qualquer história, tanto que quase não notei o que se passava com Owen e Teddy, que acertavam os ponteiros dessa amizade que se perdeu completamente.


Aliás, Teddy também se despede, mas não é como se alguém aqui estivesse lamentando. A personagem nunca deu certo de verdade e só começou a se encaixar nessa temporada. Acreditem ou não, Shonda Rhimes tem planos malucos de um spin off só com a Drª Teddy Altman e, se isso não é prova de insanidade, não sei o que mais poderia colocá-la numa camisa de força.


Na tentativa de traçar um paralelo entre o trágico e a rotina no hospital, tudo ruiu. Alguém aqui achou graça em Drª Baley brigando com seu macho e falando de calcinha fio dental de novo? Ou alguém conseguiu embarcar no lance do jantar dos internos com Richard? Não. Claro que não.  A estrutura toda foi um equívoco e nem comecei a falar do absurdo que é essa queda/sumiço do avião não ter sido notada por nenhuma autoridade responsável.


Vejam bem. Estamos falando de EUA aqui. Um país onde o trafego aéreo é controladíssimo. Não decola um teco teco por lá sem plano voo, autorização e monitoramento total. Pelo que entendi, a equipe do Seattle Grace nunca sequer chegou a seu destino e Owen, estranhamente, só fica sabendo ao ouvir seus recados do dia, já que pedira para não ser incomodado com nada.


Se todos deveriam ter retornado pela hora do jantar com Richard (reparem que Callie esperava Arizona cheia de amor para dar) como é que se passa tanto tempo sem que ninguém seja notificado? Um avião, mesmo que particular, some do radar e tudo bem? Ninguém procura esse avião, as famílias não são avisadas? Essa linha temporal não se justifica e a desculpa de que o transmissor quebrou na queda é “bullshit”. Sem o sinal do transmissor a procura começaria até antes. Ou seja, não faz o menor sentido.


Para quem já está irritado com tudo isso, ainda resta outra máxima de Shongamonga. Segundo essa gênia, o mais importante do episódio é que “eles ainda estão na floresta”. Quase caí da cadeira ao ler essa declaração, de que o público está com a percepção errada do episódio e de que a culpa é nossa, se não conseguimos entender suas intenções tão claramente expostas.


Shongamonga ainda tem a coragem de ameaçar mais personagens de morte na Season Premiere, “tudo pode acontecer”. Que seja. Mate mais gente. Mate todos. Vamos ver até onde a audiência vai continuar permitindo essa ousadia egocêntrica.


Como eu já disse, mais do que matar personagens, essa mulher está matando Grey’s Anatomy.  Ao colocar Sloan nessa situação, ela destruiu um grande trunfo: seu melhor alívio cômico. Tentem imaginar Mark fazendo piadinhas homoeróticas com Avery daqui em diante.  Não vai cair bem, não vai funcionar e é por isso que imagino que Eric Dane pode ser o próximo da lista de Shongamonga.


Preparem-se, portanto, para muitos plots reciclados. Cirurgião brilhante que perde a habilidade motora? Achei que essa já tinha sido usada com Preston Burke. Depressão depois da perda do grande amor da vida? Peraí, esse não foi o arco de Teddy até agora? Traumas depois de uma grande tragédia, levando todos os médicos a ficarem em posição fetal? Ué, essa era a trama central da sétima temporada, se não me engano. E por aí vai...


A falta de novas ideias fez Shonda dar um tiro no próprio pé, mas isso nós só vamos descobrir no ano que vem. Pelo menos, alguns de nós. Sei que muitos encerram sua jornada com Grey’s Anatomy por aqui e se não fossemos curiosos e se o mundo fosse justo (e resolvesse punir Shonda por seus impropérios) seria o fim da linha para todo mundo. Está na hora de parar de brincar e tomar uma decisão séria. Se Grey’s Anatomy não tem mais para onde ir, encerrar com dignidade e bom senso é tudo o que pedimos e o mínimo que se espera.


P.S* Eu imagino, claramente, Shongamonga pensando: “Eu sempre quis derrubar um avião. Eu quero derrubar e eu vou. Dane-se a série. Tenho fetiche”. O cérebro dela funciona assim, basta saber que foi de um desejo antigo e ideia fixa de esquizofrênico, que saiu o episódio musical, que eu particularmente odeio e acho tão desnecessário e forçado quanto esse da queda do avião. Até para liberdade criativa tem de existir certos limites.


P.S* Desculpem o tom de “desabafo”, mas imagino que minha reação é a mesma da maiora.
P.S* Troco a vida de Lexie pelos defuntos de Avery, Kepner e o namorado avulso da Bailey. Falta de verba pra salário estaria resolvida ou não com essa minha dica?
P.S* Quando eu disse, na semana passada, que só faltava um episódio pra uma temporada perfeita, eu não tinha ideia do baque que iria sofrer. Meu ódio só aumenta.
P.S* Até a próxima temporada. Se eu não mudar de ideia e desistir de Grey’s Anatomy. Ou for presa por ter assassinado Shongamonga. O que vier primeiro.