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terça-feira, 28 de junho de 2016

Omelete levanta os segredos do sucesso de Game of Thrones



É uma estrutura simples que sustenta o universo fantástico criado por George R. R. Martin na TV. Sejam intrigas políticas e familiares ou dragões e mortos-vivos, tudo em Game of Thrones se equilibra sobre um sistema de recompensas. É o carma que segura o espectador desde a primeira temporada.
As tragédias são muitas, com uma extensa lista de óbitos escrita ao longo de seis anos, mas na série da HBO, tudo o que se faz, se paga. 
Ramsay Bolton (Iwan Rheon) torturou e matou, destruiu vidas por esporte, e a hora de acertar suas contas chegou. Ser comido pelos próprios cachorros foi uma conclusão quase óbvia para o personagem, porém não menos satisfatória para o público, testemunha ocular de todas as suas maldades. O sorriso de Sansa Stark (Sophie Turner) ao ouvir os gritos de dor do seu algoz também era o sorriso do espectador.
A catarse em Game of Thrones vem da retribuição extrema a situações extremas. Seus heróis sobrevivem as maiores provações para que a sua volta por cima seja o alívio de quem assiste, seus vilões cometem as maiores atrocidades para que sua destruição seja um deleite. 
Zombado por todos e desprezado pela própria família, Tyrion Lannister (Peter Dinklage) vingou-se da pompa paterna ao matar Tywin Lannister (Charles Dance) no lugar onde todos os homens, nobres ou plebeus, são iguais. Agora se prepara para retornar triunfante e respeitado a Porto Real como o Mão da Rainha, ajudando Daenerys Targaryen (Emilia Clarke) a conquistar o trono. Joffrey Baratheon (Jack Gleeson) foi a irritante causa dos dramas alheios por anos, até morrer sufocado e roxo no colo da sua igualmente maléfica mãe.
Ou seja, a série entrega exatamente aquilo que o público quer/precisa ver, e não há nada de errado nisso. Para cada vez que Daenerys perdeu tudo, ela teve um momento de retorno glorioso, seja renascendo do fogo ou voando no seu dragão. São situações de alcance universal, não importa o contexto fantástico em que estão inseridas. É o puro prazer de ver a vitória do marginal, algo que não exige conhecimento dos pormenores do mundo criado por Martin. SeGame of Thrones é hoje uma das maiores séries da TV, o segredo não está na complexidade do seu universo, com suas casas, sobrenomes, religiões e povos ancestrais, mas na simplicidade da sua lógica.
O arco de Jon Snow é outro exemplo. “Quando minha família fazia banquetes eles se sentavam aqui. Eu me sentava lá”, desabafava ele para Melisandre após a retomada de Winterfell. Carregando o peso de ser um bastardo para a Patrulha da Noite e além da Muralha, Jon Snow voltou dos mortos, venceu uma batalha considerada perdida contra Ramsay e terminou a sexta temporada como o Rei do Norte. 
Sem contar a revelação, pelas visões de Bran (outro dos Stark que ainda sofre para triunfar), de que ele é muito mais do que um filho ilegítimo. A confirmação da teoria há muito debatida pelos fãs é o aceno final do sistema que rege a trama: o eterno rejeitado tem sangue nobre.
Grandes séries como Lost perderam seu público por trocar consistência por reviravoltas que nem sempre mostravam retorno. Já Game of Thrones vem crescendo ao longo dos seus seis anos por saber que, às vezes, o certo é melhor do que o duvidoso. 
A história tem peso pois o espectador se importa com seus personagens a as reações às suas ações, tornando aceitáveis “defeitos narrativos” como a linha temporal questionável ou soluções exageradamente pontuais (como a chegada dos Cavaleiros do Vale na Batalha dos Bastardos). 
Que venham mais recompensas na sétima temporada. Cersei (Lena Headey) está lá sentada no Trono de Ferro esperando para pagar o resto dos seus pecados.
Extraído do Omelete. Texto de Natalia Bridi.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Game of Thrones - Natalie Dormer comenta destino de Margaery

Natalie Dormer, que viveu Margaery Tyrell em Game of Thrones, deixou o programa após ser pega em uma explosão em "The Winds of Winter", décimo episódio da sexta temporada. Em entrevista ao EW, a atriz falou um pouco sobre a morte de sua personagem.
"Achei [a morte de Margaery] bem inteligente, é serio. Não se parece com nada visto nos últimos seis anos, é um momento único que amarra tudo de interessante do arco de Porto Real durante a sexta temporada. Achei uma decisão inspirada, e foi muito curioso ver que me deram uma espécie de castigo no final, o que é uma forma perfeita de deixar o programa. Ela teve a chance de falar que estava certa, como sempre esteve, mas como o poder lhe foi tirado, ela não pode fazer nada."
Dormer também comentou os rumos que a produção está tomando em seu sétimo ano: "[Os produtores] juntaram as histórias em razão da quantidade de episódios restantes. Ele tem de focar agora nos acontecimentos do trono afinal Daenerys (Emilia Clarke) está chegando. [...] Todo ano algo inesperado acontece, e é ótimo que eles ainda conseguem chocar o público mesmo após seis anos."
Extraído do Omelete

terça-feira, 30 de junho de 2015

Oprhan Black - Os acertos do terceiro ano

Do Omelete



É preciso ser atento quando se é fã de ficção científica. Ao mesmo tempo em que reúne a base de seguidores mais ardorosa, o gênero também é o que mais flexibiliza a realidade, se construindo em cima de teorias que brincam de virar verdade. Sendo assim, o universo desse tipo de série é muito rico e cheio de detalhes. Qualquer exagero ou deslize na forma como as teorias e desdobramentos são construídos pode fazer com o que a fé do espectador naquela "mentirinha" seja perdida.
O segundo ano de Orphan Black  foi complicado... Pra quem não conhece, a trama da série envolve as descobertas de Sarah Manning (Tatiana Maslany) acerca de seu passado como parte de um experimento envolvendo clonagem humana. Pouco a pouco, a personagem encontra suas cópias e vai descobrindo que por ter sido a única a gerar uma criança, pode ser a chave para resolver todos os mistérios que a cercam. Partindo dessa premissa, como com quase todos os produtos do gênero, as coisas começam simples e vão se complicando. A cada clone encontrado, uma série de ramificações acompanha, fazendo com que o livro de regras no qual a história se apoia passe a ganhar atalhos e exceções.
Castor
Orphan Black começou seu terceiro ano com um grande problema nas mãos: ela precisava justificar as voltas que fez no ano anterior, todas com o intuito de apresentar uma nova organização de manipulação de material genético. O projeto Castor tinha sido o grande gancho da temporada passada, quando clones masculinos foram apresentados como complementares a existência de Sarah e suas "irmãs". O problema de todo esse processo é que não houve uma linha narrativa central que demonstrasse segurança e a segunda temporada parecia indecisa, como se tentasse descobrir pra onde ia enquanto estava indo.
Por conta disso, a primeira metade desse ano aparou arestas e começou a se apegar menos a detalhes, tratando de deixar claros os caminhos pra onde seguiria. O importante era saber que o projeto Castor era de um braço diferente do Leda (que deu origem às mulheres clones), que ele estava para se tornar uma arma militar e que, mesmo com essa diferença, tanto um quanto o outro foram gerados do mesmo material genético. Essa origem precisava ser alcançada para que, a partir dela, uma vida saudável fosse possível para os clones, impedindo também que outros fossem gerados. Pronto, esse era o caminho e essa era a base que nunca deveria ser esquecida na condução dos episódios.
Assim que tudo foi arrumado de modo claro, a temporada conseguiu seguir com mais folga. É bastante interessante perceber como essa divisão do terceiro ano fica evidente quando atentamos pra ela. Até o quinto episódio ainda é como se víssemos o segundo ano, daquele jeito correto, mas frio. Até que uma convergência impressionante acontece e a série ganha uma catarse que desde o primeiro ano não se via. Tudo volta a ser envolvente e humano e não só um compêndio de jargões científicos.
Leda
É justamente o lado humano da série que impede que ela se torne acadêmica e não sanguínea como deveria ser. Não é só uma questão de acompanhar o trabalho estupendo de Tatiana Maslany, mas de saber que cada um dos clones que ela vive tem uma alma cheia de contornos. Assim que chegamos na segunda metade da temporada, uma espécie de spot voltou a perseguir essas linhas humanas de cada cópia, fazendo com que nos importássemos novamente com elas enquanto personagens isolados e não só como peças de uma bizarra árvore genealógica.
Foi maravilhoso ver o quinteto sendo fortalecido com tramas seguras. Enquanto Sarah ainda era a costura; Cosima ainda lutava para conseguir equilibrar seus anseios românticos e seu compromisso científico com as irmãs; Alison ainda era a mãe maluquinha, mas o reforço na abordagem de seu núcleo familiar foi importantíssimo para suavizar a temporada. A parceria com Donnie (Kristian Brunn) rendeu momentos hilários e necessários para quebrar a seriedade da história. Até Rachel salvou-se de sua construção petrificada e ganhou camadas frágeis, sendo premiada até mesmo com a grande revelação do episódio final.
Mas se a terceira temporada de Orphan Black tem uma estrela, essa estrela é Helena. O clone mais selvagem, mais violento e antissocial de toda a série despontou com um carisma que pode ser chamado de adorável sem culpa. Foi muito importante ter acompanhado o crescimento de Helena porque agora, quando ela começa a criar e admitir laços com sua nova família, vemos como sua personalidade e sua moral foram terceirizadas. É brilhante, porque ela ainda mata sem dó, só que faz isso por amor aos seus, para proteger os seus. E vejam que incrível, o roteiro consegue incutir um humor involuntário nas cenas dela que é um deleite.
Esse ano também conhecemos um novo clone e Krystal foi muito mais bem-sucedida na trama que o clone trans do ano passado. Tatiana veio com uma energia nova, inocente e comum que fizeram todos torcerem pra que Krystal permaneça no programa. A série acertou muito quando voltou a demonstrar os contrastes entre a frieza científica e os laços humanos inevitáveis. Numa produção sobre clonagem, vamos descobrindo cada vez mais que esses laços se debatem para existir, contra toda a correnteza, fazendo com que no fim das contas tudo seja sobre o desejo de ter uma família.

Sense8 é renovada para segunda temporada

Do Omelete



Sense, projeto de debute de  Andy e Lana Wachowski , os irmãos criadores de Matrix , na TV foi renovado para a segunda temporada. A página oficial do Facebook da série no Brasil confirmou o novo ano ao ser questionada por um fã.

A série da Neflix conta com Naveen Andrews (Lost), Daryl Hannah (Kill Bill), Brian J. Smith (Stargate Universe), Tuppence Middleton (O Destino de Júpiter), os britânicos Aml Ameen (The Maze RunnerO Mordomo da Casa Branca) e Freema Agyeman (Doctor WhoTorchwood), a indiana Tena Desae, a sul-coreana Doona Bae, o alemão Max Riemelt, os mexicanos Alfonso Herrera e Erendira Ibarra assim como  Jamie ClaytonMiguel Silvestri Terrence Mann.
A trama acompanha oito pessoas espalhadas pelo planeta que estão conectadas por uma visão telepática muito violenta. Cada episódio acompanhará a história de um personagem diferente enquanto uma corporação tenta uni-los e outra tenta matá-los.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Homem-Aranha é oficializado como parte do Marvel Studios

Extraído e adaptado do Omelete



Acordo entre estúdios produzirá um novo filme do herói em 2017


O teioso aparecerá em um filme do Marvel Studios e depois a Sony Pictures lançará um novo filme do herói em 28 de julho de 2017, que será coproduzido por Kevin Feige (do Marvel Studios) e Amy Pascal(da Sony). A ideia é levar o herói em outra "direção criativa" nas telas.
A Sony continuará a ser dona dos direitos do Homem-Aranha (cuja franquia tem um valor estimado em US$ 4 bilhões), assim como financiará, distribuirá e terá a palavra final sobre qualquer filme do amigão da vizinhança. 
O comunicado também diz que os estúdios estão "explorando oportunidades" para integrar os personagens do Marvel Studios nos futuros filmes do Aranha. "Essa é a decisão certa para a franquia, para os negócios, para a Marvel e para os fãs", declarou Michael Lynton, presidente da Sony Pictures.
Não há informação oficial se Andrew Garfield continua ou não no papel (a maioria especula que não), mas o comunicado oficial fala em um "novo Homem-Aranha". O Deadline afirma que Avi Arad e Matt Tolmach, os antigos produtores da franquia, continuarão envolvidos nos filmes do herói e devem ser anunciados em breve como produtores-executivos do novo longa.
Segundo a Variety, a ideia no momento é retornar o personagem ao colegial e mostrá-lo interagindo com outros alunos enquanto combate o crime. 
Nomes como Logan Lerman (que esteve no páreo contra Andrew Garfield ainda na época de O Espetacular Homem-Aranha) e Dylan O'Brien, protagonista de Maze Runner , já são mencionados como possíveis competidores. 
Ainda de acordo com a revista, a tendência é que Arad abra mão do controle criativo da franquia, em nome de outros projetos. Além de produzir um novo Popeye , ele negociou para a Sony, com a Nintendo, um filme de Mario Bros. e desenvolve franquias nos mercados chinês e japonês. Arad também estaria cansado de passar meses em Nova York, onde os filmes do Aranha são rodados.
Já fontes do Hollywood Reporter dizem que a Sony nunca teria aceito o acordo se ainda mantivesse os direitos sobre licenciamentos do personagem (a Disney comprou esses direitos em 2011), já que um filme pode ser lucrativo por conta de bonecos e brinquedos mesmo que a arrecadação na blheteria não seja satisfatória. O site também frisa que Arad e Tolmach não devem manter controle criativo sobre a franquia, e que a Sony agora procura um ator "muito mais jovem" para o papel do que Andrew Garfield, que hoje tem 31 anos. 
O comunicado não diz em qual filme da Marvel o Homem-Aranha fará a sua estreia, mas o Marvel Studios anunciou novas datas para os seus longas até 2019: Thor: Ragnarok (3 de novembro de 2017),Pantera Negra (6 de julho de 2018), Capitã Marvel (2 de novembro de 2018) e Inumanos (12 de julho de 2019). 
Já o  Wall Street Journal diz que o teioso deve aparecer em Capitão América: Guerra Civil , como especulado anteriormente. Além disso, o filme do Sexteto Sinistro continuaria nos planos da Sony, mas com uma nova data de lançamento (o longa era previsto para 11 de novembro de 2016).

sábado, 31 de janeiro de 2015

X-Men - Apocalipse terá volta de Moira MacTaggert

Extraído do Omelete
Rose Byrne, a Moira MacTaggert de X-Men - Primeira Classe, retornará em X-Men: Apocalipse.
À revista EW, o roteirista e produtor Simon Kinberg diz que a personagem terá papel significativo na continuação. "No fim de Primeira Classe, Charles apaga porções da memória dela vinculadas aos X-Men. Eles são essencialmente estranhos para ela quando todos se reencontram agora", adianta Kinberg.
Em Primeira Classe, Moira, aliada tradicional de Charles Xavier nos quadrinhos, é apresentada como uma agente da CIA e interesse amoroso do personagem de James McAvoy. X-Men - Apocalypse terá roteiro de Simon Kinberg e Singer (de Dias de Um Futuro Esquecido), Dan Harris e Michael Dougherty (dupla de X-Men 2 e Superman: O Retorno). 
O filme se passará em 1983 e terá as voltas de Mística (Jennifer Lawrence), Magneto (Michael Fassbender), Fera (Nicholas Hoult), Xavier (James McAvoy) e Mercúrio (Evan Peters). Oscar Isaac será o vilão Apocalipse.
No Twitter, o diretor Bryan Singer oficializou os três atores que viverão os jovens Ciclope, Jean Grey e Tempestade em X-Men: Apocalipse. São eles Tye SheridanSophie Turner e Alexandra Shipp, respectivamente.
X-Men - Apocalipse chegará aos cinemas em 27 de maio de 2016.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Avatar - James Cameron explica a demora das continuações

Extraído do Omelete
James Cameron, diretor da franquia Avatar falou em entrevista à Empire Online falou um pouco mais sobre as sequências do longa.
"Eu não posso dizer nada [sobre os filmes]. Eles serão incríveis. Vocês ficarão em choque", brincou. A ideia inicial do cineasta era filmar os próximos três filmes em 60 frames por segundo, mas decidiu mudar para 48 frames após o modelo ficar estabelecido com os filmes da trilogiaO Hobbit. "Meu pensamento era que 60 FPS poderia ser melhor para o mercado audiosivual. Eu encaxarei um sistema que é um pouco mais maduro, então faz mais sentido para mim filmar em 48 FPS agora".
Cameron ainda justificou o atraso nas produções das sequências pelo processo de criação dos roteiros, que serão escritos por Rick Jaffa & Amanda SilverJosh Friedman e Shane Salerno. "Nós nos encontramos por sete meses e conversamos sobre todas as cenas de todos os filmes juntos", explicou. "Eu ainda não havia estabelecido qual filme cada um iria escrever até o último dia. Eu sabia que, se fizesse isso, eles se perderiam cada vez que fossemos falar sobre os outros filmes".
Avatar 2 será escrito por Rick Jaffa e Amanda Silver, a dupla de Planeta dos Macacos 2 - O Confronto; o roteiro de Avatar 3 ficará a cargo de Josh Friedman, de Terminator: The Sarah Connor Chronicles; enquanto Avatar 4 será escrito por Shane Salerno, corroteirista de Savages.
Os três longas que formarão uma tetralogia com o Avatar de 2009 serão rodados simultaneamente a partir de outubro de 2014. 
Por enquanto sabe-se apenas que a primeira continuação explora o universo submarino da lua Pandora. Zöe SaldanaSam Worthington,Stephen Lang e Sigourney Weaver estarão de volta. A previsão é que as estreias de Avatar 2,3 e 4 aconteçam em 2016, 2017 e 2018.

domingo, 26 de outubro de 2014

Velozes e Furiosos 7 ganha primeiro cartaz com Paul Walker ao centro

Extraído
Velozes e Furiosos 7  ganhou o seu primeiro cartaz, que reúne Paul Walker, Dwayne 'The Rock' Johnson, Vin Diesel e todo elenco. O primeiro trailer do filme sai dentro de sete dias. Confira:
Para concluir Velozes e Furiosos 7 depois da morte de Paul Walker em novembro de 2013, a Universal Pictures bateu o recorde de indenização de seguro em Hollywood. O longa estreia em 2 de abril no Brasil.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

10 anos de Lost

Do Omelete
Podia parecer apenas uma ironia visual de pilotos que querem se fazer de espertinhos, mas duas premissas básicas que sustentaram a dramaturgia de Lost  por todos os seus seis anos, apareceram na forma de cenas intermediárias, sem que nesse primeiro episódio, tivéssemos a menor ideia de que o futuro do show seria determinado por elas. É importante começar esse texto dizendo que não, nunca acreditaremos que tudo – absolutamente tudo – estava planejado desde o início, mas a beleza de se aplicar uma ideia num contexto estabelecido, nunca será menos admirável.
No dia 22 de Setembro de 2004, o Oceanic 815 caiu. Depois de todo o caos inicial, o músico Charlie (Dominic Monaghan) reforça as letras gravadas nos esparadrapos que lhe protegem os dedos. F. A. T. E. Destino. Daqueles que estabelecem tudo, daqueles dos quais não há nenhuma chance de escapatória, tais quais aqueles que moviam os personagens das tragédias gregas, que não tinham nenhuma escolha, que eram movidos pelas profecias anunciadas antes mesmo que eles nascessem, e tinham suas vidas movidas pela execução disso. Claro que a essa altura não sabíamos de nada, nem eles. Mas era o destino, a sina, os propulsores daquela reunião de tipos amaldiçoados.
Ninguém tinha muito do que se orgulhar na sua vida fora da ilha e essa era outra liga entre os personagens. Lost foi construída em torno do conceito de anti-heroi que tomou a televisão dessa Terceira Era de Ouro, inaugurada por Tony Soprano, que mostrou ao mundo que éramos capazes de amar gente que podia ser tão destrutiva. Podíamos até ser conduzidos por um médico determinado a salvar, mas mesmo ele, era tomado de egoísmo e ira, sempre disposto a colocar sua razão acima de qualquer coisa, inclusive de vidas que ele deveria querer salvar. A palavra de ordem dos protagonistas de Lost era “EU”. E eles tinham sido levados até ali para priorizar o outro. Cada um na sua jornada pessoal de compreensão sobre si mesmo, para que a partir disso pudesse haver a possibilidade de entendimento do que é altruísmo. No final das contas eles haviam sido levados até ali porque não havia um mundo aprazível para onde pudessem voltar, mas permanecer na ilha e preservá-la era uma questão de chegar a essa consciência. Era uma questão de jogar fora esse “EU”.
Jack (Matthew Fox): Eu sofro porque sou tão bom a ponto de me sacrificar pelos outros. Eu sou mais esperto, eu sou a liderança, eu sou o responsável, eu preciso ser reconhecido por isso.
Kate (Evangeline Lilly): Eu mato pelos que amo e eu não quero pagar por isso.
Sawyer (Josh Holloway): Eu seduzo, eu engano, eu roubo, eu sou assim porque eu sofri quando criança.
Sun e Jin (Yunjin Kim e Daniel Dae Kim): Nós mentimos.
Hurley (Jorge Garcia): Eu sou um incompreendido... Eu só quero amor, não quero dinheiro, mas não vou abrir mão dele, tampouco.
Sayid (Naveen Andrews): Eu torturo, mato e mutilo. Mas, eu também amo.
Locke (Terry O’Quinn): Não me diga o que EU não posso fazer. Mesmo que eu não possa.
Não se tratava apenas de seguir uma fórmula que ficou estabelecida desde The Sopranos: esses protagonistas falhos, sendo conduzidos com personalidades tridimensionadas, para que seus defeitos e qualidades se fundissem num reflexo até brutal de nós mesmos. No caso de Lost essas similaridades tinham um grande propósito. Se um deles precisava ficar na ilha, não poderia haver um mundo possível do outro lado do oceano.
O Mito
Também logo no início da série, Locke fala com Walt sobre um jogo e mostra a ele duas pedras, uma branca e a outra preta. Dois lados: um claro e o outro escuro. A base maior para tudo que nos permeia desde o início das civilizações. O claro e o escuro que aparecerão em vários outros momentos, tanto de formas práticas quanto metafóricas, como pombas num sonho de Charlie ou como os olhos de Locke num sonho de Claire. Mas já está estabelecido aqui que John é o personagem que está diretamente ligado a essa base narrativa. Sendo ele, também, o primeiro a ver o Monstro de Fumaça, sem que fosse atacado por ele. Locke era o único que sempre quis acreditar e se tornara por isso, o fantoche mais acessível.
Chocado, Jack, logo no episódio piloto, vê o pai que deveria estar morto, espreitando nos arbustos. Esse momento, junto com o monstro andando na selva, foi o que mais ampliou o universo do show para fronteiras mitológicas. No fim de tudo, estavam interligados por uma das maiores ousadias da dramaturgia de Lost. Aquela que dividiu esse destino dos personagens em dois sentidos específicos, liderados pelos dois representantes do claro e do escuro.
Jacob, o lado claro, reuniu na ilha todo aquele grupo de pessoas que nada tinha a perder, os fez conhecer e descobrir a ilha lentamente, porque simplesmente dizer a eles o que eles precisavam fazer não os  convenceria a ficar. E o lado claro, vejam só, dá ao outro a liberdade de dizer não. Já o Homem de Preto, o lado escuro, não acredita em renúncia pessoal e sim em objetivo definido. Ele reforça o “eu” e norteia sua existência para conseguir o que quer. Com sua forma alterada pelo contato com a energia eletromagnética da ilha, ele fica preso nela e passa a desejar ardentemente a vingança e a liberdade. Mas, não pode fazê-lo sozinho e assim que o avião cai, começa seus planos de manipulação através das relações humanas.
Na maioria das vezes, o que a ilha queria era o que o Monstro queria. Visões de mortos com recomendações específicas e julgamentos de sobreviventes eram só alguns exemplos. Na forma do pai de Jack, o Monstro não conseguiria o acesso necessário, mas conseguiria, talvez, manipular alguém muito ávido por sentir-se especial. Então Locke vira a ferramenta perfeita. Ele precisa primeiro ser convencido de que tem um papel na ilha, depois ser convencido de que precisa fazer qualquer coisa para mantê-lo e por fim, virar a capa perfeita, cheia de ligações emocionais com todos os outros sobreviventes. O Homem de Preto era o jogador mais agressivo, que saía para o tabuleiro movimentando as peças, o que acabou resultando no sucesso de seus planos de execução.
A Ciência
Não se pode julgar um espectador que não consegue absorver a proposta de Lost... Mas, não se pode dizer também que não havia um pensamento que tivesse amarrado toda essa junção ousada de ciência e mitologia que constituíram a atmosfera da série. Ao inserir, no ano 2, o plot da escotilha, o roteiro tinha descoberto uma base narrativa que foi a condução mais viável para tudo que pudesse ser encarado como inexplicável, partindo sempre do princípio dramatúrgico básico de que a ficção permite o ato da fé naquilo que seja – à primeira vista – imponderável.
Na segunda temporada ouvimos sobre energia eletromagnética... Ela estava ali, presente na escotilha, atraindo a chave pendurada no cordão de Jack, por exemplo. Nesse primeiro momento, achamos que a história toda do botão que precisa ser apertado a cada 108 minutos é uma grande loucura. Mas, vamos entender mais tarde que toda a ilha está situada acima de um imenso bolsão de energia eletromagnética, energia essa que é, cientificamente falando, imprevisível se vier em condições maciças.
Toda a matéria existente no universo é constituída por átomos (…) A instabilidade dos átomos está associada a um excesso de energia acumulada, que tende a ser liberada sob a forma de radiações (…) Células vivas expostas a essa radiação, por exemplo, podem ser destruídas ou alteradas” (Fonte: Biodieselbr.com)
No trecho acima, está, por exemplo, um possível embasamento de muito do que vimos no decorrer daqueles seis anos. O corpo humano também irradia energia eletromagnética e pode ser alterado ou transformado se entrar em contato com formas brutas dessa liberação energética. A ilha, carregada em altos níveis por essa energia, acabava alterando o funcionamento do corpo, curando doenças, impedindo gestações, interferindo no curso normal da ação do tempo e da natureza.
No famigerado episódio Across the Sea, do sexto ano, o que vimos foi um tempo de incompreensão acerca desses aspectos científicos da “tal luz”. A ilha, como um todo, era como um isolante dessa energia, que escapava, eventualmente, por frestas geradas pela ação do tempo ou do homem. A escotilha e o botão, a roda congelada... por vários momentos nós estivemos diante de escapes dessa energia ou de descarregamentos dela. Da explosão do segundo até os saltos no tempo do quinto, era sempre a mesma luz que era gerada do centro da ilha para fora, e esse era sempre um sinal de que a liberação dessa força é que terminava sendo responsável pelo desequilíbrio das circunstâncias e do tempo. Eletromagnetismo e radiação são velhos conhecidos nossos em qualquer trama de ficção científica que lide com questões desse tipo.
Mas então imaginemos que civilizações muito antigas tenham estado em contato com a ilha. Os egípcios parecem ter estado por lá e é claro que assim como nos estudos de Erich Von Daniken, manifestações científicas que não podiam ser traduzidas ou compreendidas, eram confundidas com mito, com divindade. Assim, estátuas de adoração, templos de contemplação, escrituras e profecias eram parte de um tempo da ilha onde não havia uma Iniciativa Dharma, a primeira a correlacionar os eventos inexplicáveis da ilha a sua natureza eletromagnética.
A Fé
Por mais que em qualquer boa trama de ficção haja muito embasamento científico, não se pode esquecer jamais que estamos diante de uma história inventada e que o prazer de fingir que acreditamos nela está em conceder e permitir. Há aspectos de Lost que não podem ser explicados com pesquisa prática, mas não se pode maldizê-los por isso. Alguma coisa no meio do percurso é regra estabelecida pela vontade ou é manifestação emocional bruta, sem medo de não ser verdade.
Mesmo que tenha sido a energia eletromagnética a transformar o Homem de Preto no Monstro de Fumaça (tanto que ao descarregar ilha, ele volta ao normal), não temos uma explicação prática para a imortalidade e os poderes de Jacob. Não sabemos como o cargo de guardião da ilha passa de uma pessoa pra outra. Mas, ao mesmo tempo, numa trama tão tomada de embasamento teórico, seria mesmo tão pecaminoso assim que houvesse um aspecto fantástico da história que tivesse surgido como surgem tantas boas histórias da humanidade? Vontade, apenas.
Mulder e Scully tinham milhões de referências científicas para embasar seus casos, mas nada podiam fazer pra explicar a vida após a morte, que era tão presente em Arquivo X. O universo alternativo de Fringe foi descoberto e explorado de muitas formas cientificamente prováveis, mas a consciência de Bell ir parar no cérebro de Olívia mesmo com ele morto é algo que se aceita mais por vontade do que por teoria. Bons roteiristas sabem conduzir esses experimentos narrativos de forma a torná-los viáveis e cheios da atmosfera do show, mas o papel de Jacob na ilha ou o fato do Monstro tomar a forma de quem já estava morto, são aspectos inverossímeis naturais ao exercício da fé cênica. Se o entorno estiver sendo bem cuidado, podemos nos permitir acreditar em um ou outro detalhe que tivesse precisado existir por vontade, muito menos que por verdade.
É aí que se situa, também, a decisão de sobrenaturalizar os flashes do sexto ano. Se a série começou falando de destino, fez sentido para os roteiristas que essa noção de predestinação os perseguisse até mesmo no pós-vida. Todos nós conhecemos um pouco dessa sensação de “evento compartilhado”. Toda vez que encontramos com uma turma de escola, de faculdade, de viagem, de infância, de trabalho, que tenha sido transformadora na nossa  vida, que tenha sido uma parte descolada da nossa rotina, sempre temos a sensação de que naquele período, com aquelas pessoas, aquele tempo, nos define em alguma instância. Nesses reencontros nós acabamos entendendo que vivemos algo especial, compartilhado com aquele grupo de pessoas que será o único que compreenderá aquela sensação. Participantes de uma mesma edição de um reality show devem sentir isso o tempo todo. E foi aí, nessa direção, que caminharam os eventos da última temporada de Lost. Claro que todo mundo tem o direito de não aceitar essa explicação lúdica, mas aí não reside um julgamento de valor e sim uma diferença de impactos. O que não afeta uns, afeta outros, e o mundo continua girando.
Ao final do último episódio, a mitologia da série estava bastante esclarecida. Existe um eco indelicado a respeito de Lost, que confunde rejeição a resposta com falta de resposta. Que confunde não querer um sentido emocional e lírico com não poder haver lirismo. Existem algumas das maiores histórias de ficção científica da humanidade que dependem apenas e exclusivamente da nossa fé. Talvez o problema tenha partido da maior qualidade de Lost:: chegar perto, muito perto, de se fazer real. Assim, por amor mesmo. A questão é que havia uma fumaça preta rondando a ilha desde o primeiro ano e esse já era um indicativo claro de que no meio das buscas por referência e ciência, haveria a fé e o mito, que dependem exclusivamente da nossa permissão para existir. O que acontece é que alguns de nós nos deleitamos, nos refestelamos, fomos ao apogeu da permissividade, e em dado momento, depois do êxtase, quando a série pediu por nossa aprovação, nós dissemos “NÃO!”.
A toda inteligência, esperteza, sagacidade e catarse que Lost me proporcionou, eu agradeci dizendo sim... Eu podia acreditar nela, principalmente porque por seis anos, ela sempre acreditou em mim.